Lendo o artigo de Luciana Brites, em 06/02/2026, considerei muito interessante a abordagem que faz sobre o comprometimento das habilidades motoras infantis oriundo do uso indiscriminado dos recursos digitalizados.

No entanto, temos que considerar que este comprometimento não atinge apenas as crianças dos nossos dias. Na realidade, temos todo um contingente de jovens e adultos que, ao longo dos anos, vêm perdendo as suas capacidades - motoras, emocionais e cerebrais - em função da disseminação do uso descontrolado das "telas".

Em seu livro "A Geração Ansiosa", o doutor em psicologia social Jonathan Haidt, formado pela Universidade de Pensilvânia, em 1992, desenvolve uma teoria, com base em um estudo minucioso, de que isto acontece desde a virada do milênio, quando os equipamentos eletrônicos iniciaram a sua "invasão" sobre o contingente humano.

Alguns conceitos básicos: 1 - descorporificação - não há mais a necessidade de que o outro exista na realidade, então, eu também não preciso usar o meu corpo; 2 - assincronicidade - tudo se desenvolve através de textos e comentários, sem contatos ou respostas imediatos; 3 - comunicabilidade - eu não falo mais apenas para um ou poucos e recebo respostas, eu falo para muitos, paralelamente e posso ou não receber respostas; 4 - entrar ou sair dos contatos não implica em nenhum custo, posso bloquear quando quiser pois tudo é descartável.

Se, como descobriu o Dr. Jonathan Haidt, isto está acontecendo desde a virada do milênio, não são apenas as atuais crianças que estão com suas habilidades comprometidas. Esta semana, buscando a centralização de uma logomarca no escritório, enquanto um parceiro digitava para que a IA dissesse quantos centímetros teríamos que "deixar" de cada lado, com papel, caneta e meu cérebro fiz as contas e disse: "é tanto". Ele duvidou. E a IA concordou comigo, dois minutos depois.

Nina Cardoso (psicóloga) Londrina

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