O ocaso do segundo milênio e o florescer do terceiro trazem em seu dorso os ventos das grandes transmutações. Elas já começam a acontecer. Então, vamos desconectar as inquietudes. Basta que fiquemos atentos. Este é um tempo grandioso, de fantásticas redescobertas da alma. Poderemos descobrir que foi vontade nossa esse experimento terreno e que, de alguma forma e em algum momento, fomos os artífices de nossos próprios problemas, e como tal seremos os artífices das soluções. Temos esse poder de criação porque somos centelha da luz criadora, que compõe todas as coisas e é uma só coisa.
Tudo o que vive e pulsa é Deus em ação. Nosso planeta e as constelações e o universo sem fim pulsam vida e são Deus em movimento. Compomos Deus e Deus se compõe de todos os seres e de todas as coisas, tudo sintetizando uma grande unicidade. O homem, este aparente pequeno ser, tem todos os atributos de Deus, pois feito ‘‘à sua imagem e semelhança’’. Entenda-se feito da mesma substância.
Não esperemos, pois, por um Deus à parte da Criação, sentado em seu trono celestial e que vá atender nossos pedidos, nos premiar por boas ações ou nos punir pelos desvios de nosso livre arbítrio. Nem precisamos fazer nossas orações tão alto e tão repetidas vezes, porque Deus não é surdo; nem choramingar em dolorida lamentação, porque não existe essa figura de um Deus emocional, que se ire ou se comova.
Nossas orações devem traduzir-se, simplesmente, pela sintonização com a plenitude, que é Deus; com a consciência de que estamos Nele e Ele em nós, que somos parte Dele e portanto somos Ele. Esse estado de compreensão nos arremete para dentro da luz, e então todas as coisas se iluminam e o que desejamos se manifesta, não pela vontade de um poder alheio a nós, mas pelo poder em nós. Alguém nos ensinou: ‘‘Conheça a verdade e a verdade vos tornará livres’’. Esta a verdade. Conhecendo-a, estaremos livres dos medos, das limitações, e tudo poderemos.
Temos sido escravos da crença de que somos um corpo carnal encerrando uma alma, quando na verdade somos fundamentalmente o inverso: uma alma puríssima, temporariamente habitando um corpo carnal. Depreende-se disto que Deus (ou se quisermos nominá-lo de Totalidade, Luz, Fonte, Cosmo-Consciência) estaria vivenciando um corpo humano. Sim, e também. Da mesma forma como vivencia o pulsar do universo, o movimento dos oceanos, as guerras e as tempestades, a trajetória dos astros, o nascer de uma estrela, o desabrochar de uma flor.
Deus está presente em tudo e se manifesta (e é manifestado) de todas as formas, porque há um livre manifestar de todas as coisas. Da mesma forma como o homem filho de Deus - assim denominado porque feito da mesma luz-substancia - livremente se manifesta. Ao compreender-se luz o homem/ser divino concilia-se com a luz de que é feito e então a manipulará da forma que o desejar.
‘‘Assim na Terra como no Céu’’, diz a oração, simbolizando que quando algo se manifesta aqui, primeiro ficou pronto lá, porque a argamassa de todas as coisas é a luz. O homem cria na (e com a) luz, pela sua vontade. Deus não interfere, já que nos concedeu todas as dádivas. Podemos pegá-las na quantidade que desejarmos. Receber segundo nosso merecimento não quer dizer segundo nossas boas obras, mas segundo nossa crença na existência e no poder dessa luz e o empenho em acioná-la.
(Céu, do aramaico, quer dizer luz).
Ir para o Céu é erroneamente entendido como ir para um lugar, mas quer dizer ir para a luz, o que não deixa de ser um paraíso...
Ao nos pensarmos carnais e pequenos nos ocultamos da verdade e deixamos de aurir o oxigênio dos divinos. Perdemos, assim, preciosas oportunidades de obtenção da graça. E se não há prevalência da carne sobre o espírito, pecados não existem, são ilusões. Pecado, do grego, quer dizer encobrimento, ocultação, ignorancia. Dimas, o ladrão, reencontrou-se com a verdade no derradeiro sopro de vida. Naquele momento dissipara-se sua ignorância e ele compreendera que era um ser espiritual e não carnal, dissipando-se assim os seus ‘‘pecados’’. Crucificado ao lado de Jesus, o que ouviu Dele? Ouviu: ‘‘Ainda hoje estarás comigo no reino dos céus’’.
A entrada do Terceiro Milênio nos reserva grandes revelações, mas temos que nos colocar em atitude receptiva, com a mente aberta, em sintonia não com um Deus imaginário, distante, mas com o Deus interior que habita em nós. Ele está aqui, bem próximo, convidando-nos a abandonar crenças equivocadas que só nos têm trazido dúvidas e sofrimento, e a voltar nosso pensamento não para o alto, mas para dentro de nós, ou O perderemos de vista. Se descobrirmos que temos o poder de Deus e portanto capazes de todas as coisas (‘‘...o que eu faço vós também o fareis, e ainda melhor’’) já teremos encontrado o paraíso.
A Terra e tudo o que nela habita iniciam sua grande caminhada para a redenção. Os tempos são chegados. Não tenhamos medo das turbulências, que às vezes nos inclinam para a descrença. Não estamos sós. Muitos estão nos ajudando nesta hora. Mas temos que ir junto, conectarmo-nos com eles e com nossa divindade interior, ou perderemos o bonde...
Antes de ancorarmos neste planeta nós firmamos um contrato de retorno à nossa espiritualidade. É bom não esquecermos disto.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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