A era da qualidade de serviços - Walmor Maccarini
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de junho de 1998
Walmor Maccarini 
Depois que se amadureceram os ciclos da tecnologia e da comunicação, vivemos hoje a era da qualidade de serviços, e quem souber executá-los bem terá sucesso. Palavras da empresária paulista Chieko Aoki, presidente da Rede de Hotéis Caesar Towers, em palestra para jovens nikkeys, em Londrina, no calendário da Imin-90. O conhecimento - ela ensina - é melhor que o dinheiro (pois certamente este virá como consequência); é preciso incorporar outras culturas, além da puramente profissional; aprender várias línguas, sobretudo o inglês, até por causa do advento da Internet; e viver mais comunitariamente.
Chieko estudou Direito, Administração, Secretariado e Hotelaria, onde está há 20 anos, mas não descuidou de aprender línguas, que lhe deram grande suporte, e por acréscimo balé e música. Com esta bagagem ela transita pelo mundo, tranquila e segura.
Viver em permanente curiosidade e ter a humildade de estar sempre aprendendo. Muito interessante esta sua definição de humildade.
Chieko exalta a presença da mulher no gerenciamento de negócios, dizendo que na era dos serviços seu papel é marcante, porque ela tem a sensibilidade do detalhe. Revela haver enfrentado muitas barreiras e preconceitos, que os homens lhe passaram rasteiras, mas hoje proclama enfática: Eu não tenho medo dos homens.
Referindo-se aos dekasseguis, afirma que eles podem aprender muito no Japão sobre qualidade de serviços e disciplina, mas que eles não devem pensar só no ganho financeiro, porém retornar trazendo algo que seja melhor para eles e para todos. Tendo nascido naquele país e sendo hoje brasileira naturalizada, manifestou-se entristecida com os jovens empresários do Japão, por só pensarem em dinheiro, e com o que considera excessiva rigidez do povo japonês. Certamente não deseja que os dekasseguis brasileiros retornem assim.
Concluí-se que misturar a disciplina e a qualidade de serviços japoneses com o gingado brasileiro pode ser uma receita de sucesso.
Ouvir pessoas que falam coisas sábias, enriquece.
Na sequência, o psicoterapeuta Içami Tiba, de SP, especialista em adolescentes e que tem várias livros editados, surpreendeu ao dizer que o exemplo dos pais nem sempre é a melhor coisa na relação com os filhos. Porque a velha escola sempre disse que o exemplo era tudo. Mas o fundamental, segundo Tiba, é a convivência e a integração. Uma boa prática nessa teoria relacional é os pais pedirem mais ajuda aos filhos, dividir tarefas com eles e não só ficarem criticando-os. Não puni-los, mas fazê-los arcarem com a consequência de seus atos, o que é diferente. Gente gosta de gente e os filhos gostam dos pais. E acabar com isto de que os filhos têm que fazer tudo certo, porque os pais também não fizeram só coisas certas ao longo de suas vidas.
O psicoterapeuta ensina que a vida não é só eficiência, mas vivência. Lembra que, por tradição, temos reservado a hora do almoço e do jantar para as cobranças e os conselhos aos filhos, mas que isto é errado e que a hora das refeições deve ser um momento de farra. Temos que fazer do jantar não só a hora de comer mas a hora do conviver. Um filho nunca morre de fome mas pode morrer da fome de convivência familiar.
Se não fazemos essa farra em casa - ensina Içami Tiba - os filhos irão naturalmente buscá-la fora, com a turma. Não que seja ruim, porque com a turma eles encontram a liberdade e aprendem coisas boas - como o aprender tudo - mas correm o risco de também aprender o que não é bom, como a prática da violência e o uso das drogas.
A fase da adolescência é ignorada pelos pais, porque eles vêm no adolescente uma ex-criança ou um quase-adulto. E a adolescência é exatamente o segundo parto, porque o filho começa a sair da família e entrar para o social. Aí a turma faz algo e o adolescente acha que aquilo é a sua personalidade. O filho não gosta de sair com o pai, então o pai deveria convidar a turma do filho para ir junto.
E cuidado para não ser pão-duro, mas pagar-lhes todos os sanduíches que quiserem. Porque a turma comentará: Pô, o seu pai é legal, e aí o filho sentirá orgulho dele e passará a enxergar essas virtudes do pai. Quando os jovens têm em seu grupo um adulto, que se comporte neste clima de camaradagem, sentem-se seguros. O pai tem que conquistar os amigos do filho. É bom saber que os filhos não imaginam ter os pais para sempre, mas estes sempre os terão...
O fato de o filho sair de casa não exclui a idéia de família, quando há convivência e integração, mas é certo - adverte Içami Tiba - que se o filho não conhece os pais e estes não conhecem o filho, este os excluirá. Uma prática que deve ser abandonada: os pais falam muito do lado sofrido da vida, e se as coisas vão mal na empresa ou no trabalho, descarregam tudo em casa. Ora, a partir daí o filho começa a descrer do negócio do pai e não quer ser o continuador dele.
Ele dá outros ensinamentos, dizendo que o homem sábio cria condições de vida em qualquer lugar; que precisa estar atento e preparado para as oportunidades, que bens materiais mudam de mão e lhes escapam às vezes, mas que o preparo que ele adquire para a vida, este ninguém tira. E quem faz algo bem-feito e não mostra, prejudica a si próprio e a quem seria beneficiado se ele passasse adiante o que sabe. Ademais, dá lugar a que alguém, que não é bom mas propagandeia o que faz, lhe tome o lugar.
- WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina


