Só Deus sabe quando 1,2 milhão de funcionários públicos espalhados por cinco estados brasileiros receberão o 13º salário deste ano. Esse número ficará muito maior se outros quatro ou cinco Estados da Federação não obtiverem êxito em projetos ou operações desencadeados exatamente para cobrir o salário extra de seus funcionários.
Não é o caso do Distrito Federal. Pelo menos por enquanto. Há previsão de se pagar em dia o 13º. Mas a folha de pessoal do governo local preocupa porque compromete 80% da arrecadação, deixando margem muito pequena para investimentos e programas sociais.
Além de ilegal - a lei limita gastos com pessoal em 60% da arrecadação - a despesa com servidores acima do que é permitido agrava a situação financeira dos cofres públicos. São raros os Estados, como o Maranhão de Roseana Sarney, que respeitam os índices permitidos.
Os governadores - eleitos ou reeleitos - terão problemas seriíssimos pela frente. A era da incerteza está apenas começando. A crise existente no País agrava-se com o vento que vem de fora. E sopra contra.
Folhas irregulares poderão levar à demissão de pessoal. De tendências ideológicas opostas, o discurso dos governadores eleitos tem sido parecido. Caso de Espiridião Amin, de Santa Catarina, ou Ronaldo Lessa, de Alagoas. Os dois - um do PFL e outro do PSB - falam em demissão dos cargos em comissão.
O pacote de ajuste fiscal apertará o cinto dos governadores que encerram o mandato. E mostra um futuro acinzentado para os que vão tomar assento. O Congresso poderá mexer aqui e ali, evitar males piores, mas não aliviará o baque.
O governador eleito Joaquim Roriz não está livre do período de turbulência econômica capaz de comprometer qualquer programa de governo. Será preciso, portanto, bom senso e equilíbrio para driblar a recessão instalada no País. O comércio de Brasília já deu sinais do que acontecerá no próximo Natal.
Roriz não governará apenas para os funcionários públicos - que bem merecem o reajuste prometido de 28%. Mas aumentar seus salários pode significar menos assistência à saúde e piores condições de ensino.
De alguma rubrica, o governador terá que tirar cerca de R$ 50 milhões por mês para cumprir a promessa de campanha. São resquícios das eleições que não podemos esquecer. Os ministros da área econômica - sem exceção - têm batido nessa tecla.
Não há dinheiro nem para o que está programado. Muito menos para o que não estava nos planos do governo federal ou no pacote de boas intenções encomendado (e amarrado) pelo Fundo Monetário Internacional.
Mas vamos esperar que dê certo. Tanto para Roriz, como para os governadores que tomarão posse em 1º de janeiro de 1999. Até lá - torcemos todos - o assunto eleições deve estar superado por quem perdeu e por quem ganhou.
Os que ganharam têm muito o que fazer: a montagem do governo, a definição de prioridades, a identificação das fontes de recursos que custearão tantos compromissos. Os que perderam devem escolher um rumo, curar as feridas e continuar a trabalhar pela cidade.
Os que votaram no candidato do PT devem admitir, democraticamente, a vitória dos adversários. Esse é o jogo. E se tivessem ganho a eleição, considerariam injusto o resultado?
- MÍRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília

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