A envolvência de policiais com traficantes
Duas coisas ressaltam da operação policial ora realizada em Curitiba e no litoral, que desmantelou uma quadrilha de traficantes de drogas. Primeiro, a eficiência da ação desencadeada, com a prisão de quase 40 pessoas. Outra constatação, esta lamentável, é que a investigação se iniciou com a prisão não de um traficante comum mas de uma delegada de polícia, de um investigador e outros oito policiais envolvidos (dentre os presos dez mulheres).
Embora não seja novidade o envolvimento de agentes de segurança pública com delinquentes, é sempre desalentador ler-se notícias de que isto acontece com quem é encarregado de combater a criminalidade. Os cidadãos ficam perplexos, porque obviamente entendem a polícia como um organismo protetor da sociedade, portanto de confiança e acima de qualquer suspeição. Ademais pensa-se, depois da cada episódio do gênero, que o exemplo alerte e melhore o sistema policial e tais fatos deixem de acontecer ou diminuam de intensidade.
Todos os presos de agora vinculam-se ao tráfico de drogas, a alguma associação com esse negócio e posse ilegal de armas. O episódio tem ligação com a recente descoberta de agentes policiais que favoreciam traficantes mediante recebimento de dinheiro. Se presos, eles também eram extorquidos (por via de suas ramificações externas) e com isso acabavam ganhando liberdade. Se com a ação da polícia já não é fácil conter o avanço do tráfico de drogas, com a conivência de encarregados da repressão tudo fica mais difícil. Há muito poder cercando o universo das drogas, que compreende inclusive bem organizadas corporações transnacionais, e como o negócio move fortunas a tentação de agentes da própria polícia torna-se irresistível se eles não tiverem suficiente formação moral. O mal se agrava porque o sistema não consegue manter presos os traficantes e policiais que atuam com eles por cumplicidade. Não surpreende que pessoas implicadas sejam presas mais de uma vez, significando que em ocasião anterior livraram-se do cárcere, e em curto tempo.
Desbaratar quadrilhas ocorre com frequência, mas parece que elas se reproduzem, porque a ilicitude continua, sem regressão de intensidade. Porque, se todos os produtores de drogas e traficantes que foram presos estivessem por trás das grades, as cadeias estariam abarrotadas deles. Não é o que acontece, porque prender e soltar é uma constante. Aqueles que foram presos algum tempo atrás por extorquir e favorecer traficantes estão todos soltos. Repetindo o velho chavão, parece que cadeia é mesmo para ladrão de galinha e para mulher pobre que rouba um drops em supermercado.





