A eleitoreira campanha tapa-buraco
O lançamento da eleitoreira operação tapa-buraco das estradas demonstra que o presidente Lula falta com a verdade ao declarar que não é candidato à reeleição, e parece deslocado do calendário eleitoral ao dizer que só pensará sobre isso em meados do ano. Isto significaria estar no limite do prazo das convenções partidárias e dispor de apenas três meses para a campanha. Candidatar-se ao segundo mandato é um direito que lhe cabe, então não há necessidade desse jogo de faz-de-conta. Falando-se da obra dos consertos, ela se revela desconcertada embora necessária porque será apenas superficial. Não é uma reconstrução, que muitos trechos exigem, mas apenas pás de asfalto, cada qual ao preço de um voto. Porque, conforme diz o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (que logo deixa o cargo para concorrer ao Senado ou ao Governo do Amazonas), o que for feito agora terá de ser repetido doze meses depois. Portanto, um gasto estimado em R$ 440 milhões apenas para efeito plástico, de pouca durabilidade. Nenhuma estrada nova, nenhuma duplicação, apenas um pó-de-arroz a exemplo do que fazem as concessionárias do pedágio. De acordo com a Associação Nacional do Transporte de Carga e Logística, o início do programa tapa-buracos é feito em hora errada, quando há muito tráfego e está chovendo. Um serviço que deveria ter realizado antes, e para isso o Governo teve três anos. Mas como não fez outras coisas, não fez também esta. A operação emergencial abrangerá 26 mil quilômetros de rodovias, em 25 Estados, portanto uma verdadeira ação de guerra à caça de votos. E vem pela frente, também, muito programa de assistência social, como forma de seduzir o eleitor pouco politizado, que vota no embalo da pirotecnia e depois fica se queixando dos governantes que elege. Outro ponto é que essas obras não terão licitação, facilitando a corrupção e podendo dar ensejo a embargos. Em alguns casos serão feitos aditamentos em contratos já existentes. A mentira do Presidente de que não é candidato ficou flagrante, ante a largada dessa operação e a ofensiva publicitária já lançada pelo Planalto e que resultará em gasto inicial (só nestes próximos 15 dias) de R$ 20 milhões. O Governo respira campanha eleitoral, parecendo desejar fazer em 12 meses tudo o que não fez em três anos. Ardil típico da politicagem profissional. No caso do Paraná, quem ligar rádio e TV e olhar para outdoors verá propaganda dos tapa-buracos, da Bolsa-Família, do Pronaf (programa de amparo ao pequeno produtor rural), do projeto de prevenção da cárie dentária, da criação da Universidade Tecnológica e até da grandiosidade de Itaipu. Tudo isso para enfrentar concorrentes potenciais como Geraldo Alckmin, José Serra, Aécio Neves, Anthony Garotinho, Germano Rigoto, Cristovam Buarque e eventualmente Roberto Requião. Mas o maior adversário de Lula será ele próprio.





