A eficácia das blitze
O episódio com o senador Aécio Neves, que dirigia um Land Rover com carteira de habilitação vencida, foi flagrado em blitz da Operação Lei Seca no Rio: levou 14 pontos, foi multado em R$ 1.149,23 e ainda por cima recusou-se a fazer o teste do bafômetro. A melhor forma de fazer prevenção à violência crescente no trânsito é justamente essa: não pega todos os que estão irregulares, mas vai além do objetivo de melhorar o trânsito porque flagra carros roubados, veículos irregulares e com débitos de multas e IPVA e também com defeitos mecânicos que os tornam uma temeridade na circulação.
Abstraindo a circunstância de tratar-se de uma das figuras públicas de maior expressão no País, um vitorioso na sucessão em Minas Gerais, e até um possível candidato presidencial de oposição, o que por si só afirma a objetividade, ao menos neste caso, das autoridades policiais, já que pelo jeito não prevaleceria o ''sabe com quem você está falando?'', percebe-se que a blitz é a melhor forma de disciplinar o trânsito por sua ação duplamente preventiva-repressiva e que se mostra mais eficiente do que outras rotinas nem sempre tão eficazes.
Virou paradigma no Paraná a irresponsabilidade do ex-deputado Ribas Carli Filho ao provocar a morte de dois jovens da forma mais estúpida e até hoje não houve uma explicação convincente para a não captura pelos radares, ora tão discutidos, dos frames da gravação. Como na reportagem do ''Fantástico'' um funcionário da hierarquia da Consilux, empresa delegada, admitiu possível deletar multas de clientes especiais, percebeu-se a vulnerabilidade do sistema minado pelo ''jeitinho'' e a corrupção.
Do evento do Rio ao do Paraná, a evidência de que precisamos de mais blitze para botar ordem no caos do trânsito ao mesmo tempo em que reavaliamos com profundidade as deficiências possíveis no apoio dos radares e dos serviços correlatos de órgãos estaduais e municipais.





