A educação sem solução
Sebastião Bueno dos Santos
A crise institucional por que passa o País leva-nos a perguntar: por que uma nação tão rica e varonil como o Brasil teima em manter a maioria de seu povo na miséria quase absoluta? Por que há 50 anos continuamos a ver o bolo crescendo sem ser repartido com o povo? Por que não examinamos com profundidade nossos padrões educacionais? Por que há crise na saúde? Por que há crise na Previdência Social? Enfim, o que está errado com esse país e por que não se faz nada? As perguntas são muitas e respondê-las constitui verdadeiro desafio que nós, os brasileiros, precisamos enfrentar e superar.
A raiz de nossos problemas está na educação. Os padrões educacionais do Brasil estão dentre os mais elevados do mundo. Porém, estão estrangulados por uma confusão de objetivos. Há uma evidente frustração nos círculos educacionais causada por falta de fundos: falta dinheiro para tudo. Professores são mal remunerados; existe falta de salas de aula; as pesquisas científicas não são levadas a sério pelo governo; pesquisadores são abandonados à própria sorte.
Como uma nação pode desenvolver-se se relega a segundo plano um setor tão vital como a educação? Não é necessário dizer que através da educação resolveríamos nossos problemas de saúde, de superpopulação, de trabalho, de economia, de emprego, de criminalidade e outros tantos. Salta à evidência que quanto mais educado e culto um povo, menos problemas relacionados com a falta de educação terá.
A questão mais premente de nosso país continua sem solução porque não há investimentos na educação. A preocupação total com soluções imediatas muitas vezes resulta numa colcha de retalhos não mais duradoura do que as explosões alarmadas criadas pelas questões. Porém, nossos governantes ainda não entenderam essa necessidade. Há um imediatismo no governo que precisa acabar. As soluções necessitam ser definitivas; sem paliativo.
A atitude do governo com a educação é limita à manutenção das estruturas vigentes, à preservação do processo e a um modesto reparo na instituição. Ora, isso só não basta. Em vez disso são necessários sérios esforços no sentido de se localizar os desvios, os vícios, combater os dogmas que estão a impedir o avanço e reformar o tipo de educação que vem sendo utilizado há décadas pela sociedade, sem sucesso. Precisamos acabar com a situação em que ‘‘professores fingem que ensinam; alunos fingem que aprendem; e o governo finge que paga salários aos professores’’. Precisamos esclarecer nossos objetivos; precisamos ter uma consciência clara e precisa de onde queremos chegar como nação, bem como fundos necessários à consecução desses objetivos.
A criação de um programa nacional capaz de superar as adversidades e encontrar saídas criativas para os problemas mais prementes da sociedade deve ser medida prioritária. Neste ponto, é oportuno lembrar a Carta do Rio, que sintetiza as conclusões da 17ª Conferência Nacional dos Advogados, que propugna que ‘‘O Brasil precisa com urgência de um pacto político que torne realidade a utopia de uma sociedade mais justa e fraterna, pela qual todos, governantes e governados, zelem pelo fiel cumprimento da Constituição e das leis, pelo respeito aos direitos humanos e pela estabilidade da ordem jurídica, pressupostos fundamentais do Estado Democrático de Direito’’.
Convencer o povo brasileiro da importância desse programa é dever de todos aqueles que têm noção da grandeza dessa missão. Neste ponto deparamos com outra grande enfermidade nacional: a apatia e a omissão dos cidadãos. O império da ‘‘Lei de Gerson’’ e os desmandos são tantos que parecem ter acabado com a sensibilidade e a capacidade de reação das pessoas. Assim, não nos resta outra alternativa a não ser chamar a atenção dessas pessoas para a reação. Brasileiros: chega de omissão. Saiam de cima do muro. Não tenham medo de expor-se ao ridículo. Dêem sua opinião, por mais insignificante que possa lhes parecer. Deixem de ser críticos mais ferozes de si mesmos.
- SEBASTIÃO BUENO DOS SANTOS é advogado em Londrina

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