As histórias de José Marcelino e Eliane Batista, alunos da UEL (Universidade Estadual de Londrina), ajudam a recolocar no centro do debate um tema decisivo para o futuro do país: o poder transformador da educação superior. Os exemplos retratados em reportagem nesta edição resumem uma experiência concreta capaz de romper ciclos de exclusão, ampliar renda, autonomia e cidadania.

O Brasil ainda carrega um histórico de acesso tardio e desigual ao ensino superior. Dados mais recentes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) indicam que pouco mais de 20% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados em cursos de graduação, índice distante do observado em países desenvolvidos. Mesmo assim, houve avanço significativo na última década, especialmente com políticas de cotas, expansão de universidades públicas e programas de inclusão.

O impacto desse acesso é mensurável. Estudos do IBGE e da OCDE mostram que trabalhadores com diploma universitário chegam a ganhar, em média, o dobro da renda daqueles que concluíram apenas o ensino médio. Além da renda, há efeitos diretos sobre empregabilidade, expectativa de vida, participação social e capacidade de adaptação a um mercado de trabalho cada vez mais exigente em qualificação.

É nesse contexto que a UEL cumpre um papel que vai além da formação técnica. Ao receber um aluno cego no curso de Direito e uma mulher que viveu quase duas décadas em situação de rua no Serviço Social, a universidade reafirma sua função pública: ser espaço de conhecimento, mas também de acolhimento, diversidade e mobilidade social. Não se trata de exceções inspiradoras usadas para adornar discursos institucionais, mas de exemplos reais de como políticas de acesso, permanência e acessibilidade fazem diferença.

José Marcelino, aos 68 anos, desafia a lógica da idade, da deficiência e da exclusão educacional histórica. Eliane Batista, aos 41, enfrenta o estigma social e o atraso escolar para reconstruir a própria trajetória. Ambos mostram que o tempo da educação não é linear e que o aprendizado não prescreve. Quando a universidade abre portas, cria-se a possibilidade de reescrever destinos antes marcados por perdas, trabalho precoce, dependência química ou invisibilidade social.

Em um país que ainda convive com evasão escolar, desigualdade regional e limitações orçamentárias, defender o fortalecimento das universidades públicas é defender uma política de desenvolvimento de longo prazo. Cada diploma emitido reflete uma chance concreta de mudança.

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