A proposta deste artigo é analisar mais detalhadamente os conceitos e os principais pilares da Educação Holística. É importante destacar que o ensino básico curricular que é atualmente aplicado nas escolas não deve de maneira alguma ser abandonado, mas precisa sim, ser modernizado e organizado.
Um dos conceitos mais importantes da Educação Holística é o do ‘‘aprendizado através da vida’’, que considera que todas as nossas interações com o mundo oferecem oportunidades para aprender e que cada um de nós somos, ao mesmo tempo, mestres e aprendizes. A educação deve ser um processo contínuo e as lições devem ser tiradas de nossa vida, de nossa convivência, do dia-a-dia, seja na escola, no meio familiar, no trabalho ou nas horas de lazer.
Para que haja uma continuidade no processo educacional e este se estenda ao longo da vida do indivíduo, é preciso que a escola desenvolva, ainda nas crianças, o prazer de aprender, o prazer do entendimento, do conhecimento e das descobertas. A escola deve estimular nossas próprias habilidades e nossos talentos, a curiosidade científica, a visão crítica, a criatividade e ensinar as maneiras de se aprender a entender o mundo à nossa volta. É, portanto, essencial que a escola nos faça ‘‘aprender a aprender’’.
‘‘Aprender a conviver’’ é outro desafio. É preciso ensinar a existência da diversidade, o respeito à individualidade e as noções de direitos humanos, democracia e de interdependência entre todos os seres vivos e o meio ambiente. Conviver, hoje, pressupõe um entendimento global mútuo, harmônico e pacífico entre os mais diversos povos, nações, religiões e culturas do planeta. É importante dizer que não será fácil conseguirmos essa harmonia mundial se não a alcançarmos em nosso país, em nossa cidade, em nossa vizinhança, em nossa família e, antes de tudo, dentro de nós mesmos.
A espiritualidade é essencial à existência humana e também deve ser desenvolvida nas pessoas. O líder religioso tibetano Dalai Lama desmitifica o termo ‘‘espiritualidade’’ e diz que religião e espiritualidade, apesar de intrinsecamente ligadas, não são a mesma coisa. É plenamente possível praticarmos a espiritualidade sem pertencermos a uma religião específica. Religião diz respeito a ritual, oração, nirvana e salvação. Espiritualidade é uma atitude mental, são as qualidades do espírito humano, como o amor, a compaixão, a paciência, a serenidade, a tolerância, a capacidade de perdoar, o contentamento, a noção de responsabilidade, a harmonia e a humildade. A característica que unifica essas qualidades, ainda segundo o respeitado monge, é um certo grau de preocupação com o bem-estar dos outros, que está intimamente relacionado ao nosso bem-estar e a valores como a moral e a ética. Cultivar essas qualidades é poder alcançar a harmonia dentro de nós para que possamos conviver em paz. Citemos Frederico Mayor: ‘‘As guerras nascem no espírito dos homens, e é nele, primeiramente, que devem ser erguidas as defesas contra o ódio’’.
Felicidade é uma palavra que nos causa certo frisson. Todos a perseguimos, mas nem todos conseguimos alcançá-la. ‘‘Aprender a ser feliz’’ é um dos conceitos que deve ser enfocado em uma educação que pretende ser completa, objetivando nos fazer entender e implementar todo o leque de fatores que levam a uma felicidade duradoura. Muitas vezes, uma simples mudança de perspectiva, uma mudança de ponto de vista pode nos ajudar a encontrar a felicidade. Por exemplo, se pensarmos que, para sermos felizes, não precisamos ter tudo o que queremos mas, sim, querer e apreciar o que temos, pode ser um bom início.
Um sistema educacional moderno também deve nos preparar para o exigente mercado de trabalho, que impõe características a serem lapidadas nos bancos escolares. A inteligência interpessoal, o comportamento social, o dinamismo, a habilidade de liderar grupos, a iniciativa, a capacidade de resolução de problemas, o autoconhecimento, o carisma e também a responsabilidade e a ética são características decisivas no campo profissional e muito valiosas em todos os outros aspectos da vida.
Uma reforma educacional se faz urgente e necessária. Precisamos de uma educação que nos forme não apenas homens cultos, bons técnicos, cheios de conhecimentos científicos e profissionais, mas de uma educação que nos forme verdadeiros seres humanos, cidadãos, que nos dê sabedoria, que nos traga a paz. Porque qualquer aprendizado, qualquer conhecimento adquirido com a intenção da má-fé, do egoísmo e do benefício próprio somente e que não tenha a essência da espiritualidade, da responsabilidade social, que não trabalhe em prol da coletividade, é cultura inútil.
MARCOS HEIDY GUSKUMA, Cirurgião-Dentista em Londrina

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