A educação e o futuro do Brasil
O que esperar para o futuro de um país onde mais da metade das crianças que frequentam os 2º e 3º anos da rede municipal de educação não sabe ler, escrever e executar operações matemáticas? O cenário é desalentador, mas real e apurado por meio da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a prova ABC, aplicada no ano passado.
A má qualidade da educação pública brasileira é discutida há anos pela sociedade e ganhou destaque nas últimas semanas. O assunto, inclusive, foi incluído na pauta de reivindicações dos manifestantes que tomaram as ruas do País para, entre outras coisas, pedir o não reajuste das tarifas de transporte, a melhoria geral dos serviços públicos e o fim da corrupção. Os atos, inclusive, levaram o Congresso a aprovar nesta semana a destinação de 75% dos royalties do petróleo, que ainda será explorado na camada pré-sal, para a educação, com prioridade para o ensino básico; o restante deverá ser investido na saúde.
A situação atual do País é resultado de décadas sem qualquer investimento para melhoria dos serviços públicos. No caso da educação, item fundamental para sustentar o crescimento do País, há escolas sem a infraestrutura mínima para suportar atividades de apoio ao aprendizado, professores mal remunerados, sem capacitação adequada e sem uma formação continuada; material pedagógico falho, entre tantas outras deficiências, aliadas à falta de interesse de muitos pais e alunos. O resultado dessas avaliações não poderia ser diferente, já reflete no mercado de trabalho (que registra falta de mão de obra qualificada) e nos indicadores econômicos.
As estatísticas são importantes, mas o momento é de ação. A indignação das ruas tem que ser canalizada para que, de fato, a vida da população melhore. É óbvio que todas as pendências não serão resolvidas neste momento, mas não podem ser esquecidas ou postergadas. A destinação de recursos no orçamento é importante, mas é preciso garantias de que o dinheiro será aplicado na melhoria da estrutura e dos serviços. Sem a melhora da educação, o Brasil nunca poderá ser considerado um país desenvolvido.





