O bom desempenho da economia brasileira nos últimos 10 anos, foi fruto da conjugação de fatores. Uma conjuntura internacional totalmente favorável; como nunca favorável. A manutenção de diretrizes e metas traçadas no final dos anos 90 e a prudência dos gestores atuais em manter o legado do governo anterior. A convergência de marés tão boas manteve sólida a estabilidade de tal forma que nem a ausência da reforma fiscal trouxe alterações. Também a administração da política monetária foi confortável, tanto que o Banco Central poderia até reduzir mais os juros, mas foi tímido. E a trajetória dos juros, lastreada por uma atividade produtiva ascendente, teve gordura suficiente para suportar a crise financeira mundial de 2008/09.

Muito bem. Este foi o cenário da economia até agora. Que a sorte a bafeje sempre. Mas, ameças iminentes não faltam. A julgar pelas projeções do mercado financeiro, o que não vai faltar mesmo na temporada eleitoral de 2010 são aumentos de juros. Instituições financeiras preveem uma sucessão de aumentos de 0,5 ou 0,75 ponto porcentual em quase todas as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) até 3 de outubro, quando os brasileiros votarão no primeiro turno. E há projeções de mais elevações da Selic, estendendo-se até janeiro de 2011.

Entre os bancos ouvidos pelo repórter Fernando Dantas, as estimativas de alta total da Selic a partir da reunião de março ou abril variam de dois a quatro pontos porcentuais, o que levaria a taxa, atualmente em 8,75%, para 10,75% ou 12,75%. Haverá cinco reuniões do Copom até outubro, e as instituições ouvidas preveem aumentos em quatro. O Banco Santander projeta altas em todas. Os bancos contam com isso.

As previsões divergem nas datas e percentuais, mas todas miram alta dos juros. Dias atrás uma das fontes consultadas, a MB Associados, garantiu: a elevação das taxas de juros, com início em abril, deve desacelerar a economia brasileira a partir do segundo semestre. O crescimento do PIB será menor e o IPCA pode avançar para 5,0%. Menor crescmento com maior custo de vida. E na esteira da desaceleração, a oferta de emprego perde fôlego e cresce a economia informal.

A chance de não ocorrer a elevação dos juros está na condução da política monetária. O governo não foi ousado nem mesmo nos momentos mais favoráveis - que foram muitos - para reduzir juros. O aperto monetário ainda deverá atuar bastante na desaceleração da economia em direção a 2011.

mockup