Se a maior amplitude do poder que a Câmara Federal deseja seria para extinguir ministérios, por exemplo, se aceitaria sem restrição a proposta de emenda constitucional (PEC) recém-aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça que confere mais força aos congressistas. Mas se aquela possibilidade de corte é prevista na proposta, esta também prevê o poder de o Legislativo criar mais ministérios para acomodações políticas.
  Quando se dá mais poderes a quem já os detém, o povo fica de sobreaviso, porque no âmbito da esfera pública acontecem abusos sem conta. A concessão de mais autoridade a um Poder em detrimento de outro pode causar desequilíbrio, embora nesse universo de mandantes não se saiba onde impera mais sensatez quanto ao abuso de gastos e outras arbitrariedades. O PT, detentor do Poder Executivo, reage à proposta.
  Mais poder aos parlamentos naturalmente enfraquece o Executivo, que não é nada prudente na aplicação do dinheiro, mas é também um equívoco pensar-se que o Legislativo – cuja existência regimental é representar a vontade do povo – leve a sério essa incumbência, porque raramente o faz e é pródigo em generosidades em benefício próprio. A PEC, se aprovada, permitirá que os integrantes do Congresso aumentem gastos públicos e proponham leis que hoje são da iniciativa restrita do presidente da República; que criem ou extinguam ministérios; que aumentem salários de servidores e tratem da estabilidade e da aposentadoria do funcionalismo. Também estende seu poder às Forças Armadas – e isto pode ser uma boa fórmula, eventualmente exigindo mais ação desse organismo em questões de segurança nacional, uma delas a proteção das florestas e das fronteiras para não permitir a entrada de drogas e armas. Se o exercício de mais poder do Legislativo for pelas boas causas, toda a reformulação que se fizer será benéfica. O que ocorre é que a população não deposita muita fé no que os homens públicos articulam.
  Um das conseqüências da proposta é que, pelo princípio da equivalência, isto valerá também para deputados estaduais e vereadores. Até que ponto isto será benéfico é uma incógnita, mesmo sabendo-se do quanto o poderes executivos abusam. Não haveria aspiração maior do que conceder ao povo, representado pelos parlamentos, o poder de controle, mas infelizmente seus ditos representantes não têm exercido esse papel com a plenitude necessária. Porque, embora regimentalmente representada, a sociedade (por via de seus múltiplos segmentos) nunca é ouvida na hora de grandes decisões.

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