Fosse somente pela qualidade das imagens, poderíamos pensar que seria mais um filme do cinema catástrofe. Porém, o terremoto de 8.9 pontos na escala Richter, ontem, foi real e o poder devastador do tsunami que se formou na sequência acabou sendo transmitido quase ao vivo para todo o mundo pela potente tecnologia dos aparelhos celulares, máquinas fotográficas e filmadoras dos japoneses.
Um dos maiores terremotos da história, que atingiu o Japão matando centenas de pessoas, destruindo cidades inteiras e provocando prejuízos enormes para a economia, poderia ter revelado tragédia ainda maior se acontecesse em um país despreparado para lidar com esses problemas.
O vizinho mais pobre nas Américas, o Haiti, viu a morte de 200 mil pessoas no tremor que atingiu 7 pontos na escala Richter, em janeiro do ano passado.
O resto do mundo deve manifestar sua solidariedade e respeito ao povo japonês, hoje, diante desse desastre, mas também precisa aprender com eles a se preparar e enfrentar tragédias. Ontem, milhares de pessoas foram avisadas sobre o terremoto cerca de um minuto antes do tremor, graças ao sistema nacional de detectação sismológica. Um minuto que fez muita diferença pois os alertas foram mostrados em redes de televisão, rádio e via-celular e e-mail para pessoas cadastradas nesse sistema.
As mensagens por celular também foram usadas pela Defesa Civil australiana para informar a população sobre a grande enchente que deixou submersos 23 municípios em uma área maior do que os territórios da França e da Alemanha juntos, no início deste ano. Apesar de toda essa devastação, o país contou cerca de 20 mortos. No mesma época, enchentes e deslizamentos de morro na zona serrana do Rio de Janeiro mataram mais de 700 pessoas.
Evitar a morte de tanta gente em desastres naturais leva tempo e envolve mudanças urbanísticas, tecnologia, educação e organização comunitária. Infelizmente, o brasileiro não está preparado para lidar com situações de emergência. Quantas vezes a escola de seu filho fez treinamento de prevenção de incêndio? Você conhece os funcionários que formam a brigada de incêndio da empresa onde trabalha? Os shoppings fazem treinamentos regularmente? Pessoas que moram em áreas de risco de alagamento reconhecem os sinais de perigo e são treinadas a desocuparem suas casas com tempo suficiente?
O treinamento para reconhecer e enfrentar situações de risco deveria começar cedo, na escola fundamental. Mas como repassar noções de organização e solidariedade para crianças que não sabem sequer deixar a sala de aula em fila?

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