Iniciar uma vida nova, em outro país, de cultura, língua e hábitos totalmente diferentes, muitas vezes deixando toda a família e patrimônio para trás não é nada fácil. Essa é a realidade dos refugiados, que abandonam suas terras em busca de sobrevivência e que precisam enfrentar ainda outros obstáculos no país que lhes acolheu, como o preconceito e a falta de validade de suas qualificações profissionais.

Reportagem publicada hoje pela FOLHA apresenta uma pesquisa de abrangência inédita em que retrata as condições dos 5,3 mil refugiados catalogados que vivem no Brasil. Ela aponta que boa parte deles tem um nível de escolaridade elevado, mas esbarram na revalidação dos diplomas, processo que se faz necessário para atuarem em suas respectivas áreas no País.

A pesquisa foi realizada em conjunto por oito universidades da Cátedra Sérgio Vieira de Melo, com coordenação da UFPR, em parceria com o Acnur (Alto Comissariado das ONU para os Refugiados). Foram ouvidos 487 refugiados em oito Estados. A pesquisa não incluiu venezuelanos, já que só entrevistou pessoas reconhecidas como refugiadas pelo governo.

O principal objetivo era identificar obstáculos à integração dessas pessoas no Brasil. Os refugiados responderam a questões sobre escolaridade, conhecimento linguístico, moradia, trabalho, vínculos com o país de origem, uso de serviços públicos no Brasil, religião e integração sociocultural e política

Sobre a escolaridade, apenas 2,7% dos refugiados ouvidos não tinham completado o ensino fundamental e 34,4% concluíram o ensino superior. No Brasil, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua da Educação em 2018, os índices são, respectivamente, de 33,1% para ensino fundamental incompleto e 16,5% para o nível superior completo.

O principal objetivo era identificar obstáculos à integração dessas pessoas no Brasil e se pode perceber que estamos muito longe de sermos bons anfitriões, já que é nítida a falta de políticas públicas para este povo sofrido. Ou seja: oferecemos esse refúgio, mas sem viabilizarmos condições a essas pessoas.

Num país em que o desemprego atinge índices desesperadores, com os refugiados não seria diferente. Faltam oportunidades, empregos, empatia e uma política de inclusão.

É um prazer ter você como nosso leitor. Obrigado pela preferência!

mockup