A dupla face dos juros - Renan Calheiros
A dupla face dos juros
O Conselho de Política Monetária COPOM tem sido excessivamente cauteloso na condução do processo de redução dos juros cobrados no Brasil, os maiores de todo o mundo. A taxa básica, esta semana, foi fixada, por decisão do Banco Central, em 18,5% ao ano, após a decisão dos Países Exportadores de Petróleo de aumentar sua produção em 7%.
O cenário de aumento da produção de petróleo, em 1,7 milhão de barris ao dia, já estava previsto por todo o mercado nacional e internacional, tendo em vista a forte pressão norte-americana, já que o preço do barril chegou a 34 dólares e agora, presumivelmente, se estabilizará entre 25 e 26 dólares.
Todo o mercado futuro, a partir da definição do novo salário mínimo e da certeza da redução e estabilização do preço do petróleo, começou a trabalhar com juros em 18,5% ao ano, antes mesmo do anúncio formal do Banco Central durante esta semana. Fica evidente a timidez revelada pelos responsáveis da política econômica do país.
Os cenários da economia interna e internacional estão propícios para que o Brasil inicie uma política mais agressiva de redução de juros. A inflação está sob controle e as definições que poderiam implicar em repiques inflacionários já foram tomadas, o que nos permite uma previsibilidade razoável para reduzirmos ainda mais a taxa básica de juros. Se formos aguardar o paraíso para promover uma redução mais acelerada, nunca o faremos.
Se o Brasil pretende, realmente, crescer os almejados 4% ainda este ano, e com isso acelerar a atividade econômica e gerar novos empregos, como todos desejamos, é hora de enfrentarmos o excesso de conservadorismo e reduzir os juros. Segundo os especialistas em mercado a taxa básica pode chegar aos 17% nos próximos meses, mas o ideal é que esta redução atinja, pelo menos, os 12% anuais.
A redução de 0,25 ponto percentual implica em uma economia para o Brasil em torno de 2 bilhões reais por ano. De outro lado, com o redução do custo do dinheiro, as empresas melhoram sua competitividade, conseguem colocar produtos a preços mais baixos e criam condições para gerar novos postos de trabalho.
Resta, entretanto, o consumidor brasileiro, conhecido no impenetrável e incompreensível mercado econômico, como tomador final. Os bancos desconsideram a taxa de 18,5% ao ano e cobram até 13% ao mês para o empréstimo pessoal. O cidadão brasileiro, no crediário, no cheque especial, no financiamento e no cartão de crédito, está pagando juros extorsivos que estão longe, muito longe dos próprios juros fixados pela área econômica. Estas reduções precisam chegar ao consumidor urgentemente.
RENAN CALHEIROS é senador pelo PMDB-AL e ex-Ministro da Justiça





