A dor de cotovelo
A dor de cotovelo
Paulistas estão irritados com a ofensiva do Paraná nos investimentos externos e valem-se até de alguns cavalos de Tróia da terra, que jogam contra nossos interesses por pura chantagem política, para a orquestração do choro livre diante do fato consumado de que aquela unipolarização do passado acabou inclusive com os esforços de Minas Gerais, a partir da Fiat, e o do Rio, que ganha consolidação com a fábrica de caminhões da Volks, em Resende.
Superdimensionam as concessões (que é legítimo e sensato investigar como exigência democrática) feitas em renúncia ou imunidade tributária e na oferta de terreno de graça e energia subsidiada como se em algum tempo houvesse qualquer investimento de porte sem essas conhecidas liberalidades como entrada de equipamento pesado sem ônus fiscais, como se deu desde JK.
Esquecem-se os paulistas que o setor público de lá está quebrado: sua dívida em títulos relativamente às receitas desvela a parte visível do iceberg com R$ 17,611 bilhões de débito, para uma receita anual de R$ 13,9 bilhões. Seria uma relação negativa de 126%. Claro que Minas está bem pior, com débito de R$ 8,3 bi, para uma receita anual de R$ 4 bilhões (206,8% na relação dívida-receita), e o Rio Grande do Sul é o segundo do ranking negativo, com dívida mobiliária R$ 6,2 bilhões, contra arrecadação anual de R$ 3 bilhões. A do Rio de Janeiro, que está mal também (vide Banerj, que é refresco perto do Banespa e Cesp), aparece com a medalha de bronze desse pódio olímpico, com R$ 5,6 bilhões de dívida, para uma renda de R$ 3,6 bilhões.
EQUILÍBRIO - Vejamos agora como está o Paraná, esse enjeitado da União e com comportamento de escoteiro em matéria de austeridade: seu perfil é dos mais civilizados, o que prova que não foi pródigo, o que paradoxalmente o prejudicará agora, com uma dívida de R$ 369 milhões, para uma receita de R$ 2,1 bilhões, o que mal se aproxima de 16,8%. É, portanto, um Estado mais arredondado e cuja estatal de energia e seu banco, a Copel e o Banestado, estão longe de apresentar problemas das equivalentes nos gastadores.
Obviamente, quem está mais atolado no plano fiscal tem menos condições de ofertar vantagens até porque, com as novas instruções do Conselho Monetário Nacional, fixando restrições severas na emissão de novos títulos, reduz-se o espaço de manobra, no qual deitaram e rolaram.
A dívida de São Paulo com o Banespa é de R$ 60 bilhões. E graças ao prestígio político daquela unidade federativa e do seu governador, Mário Covas, é que se tenta salvar, pelo caminho da federalização, tal qual se deu com o Meridional, uma vergonheira nacional tratada com a máxima demagogia, o elefante em agonia chamado Banespa, foco endêmico de corrupção e irresponsabilidade.
FATOR PERMANENTE - Esse perfil civilizado da dívida é algo que se deve a um fator permanente, uma atitude do governante paranaense que a sustenta através décadas e não é justo que acabemos levando desvantagem quando soubemos evitar que o vulcão inflacionário nos anestesiasse à irresponsabilidade e ao embotamento nos endividamentos. O Paraná está agora, num tempo de moeda estável, e portanto em condições de monitorá-la racionalmente, atraindo recursos externos com plenas possibilidades de honrá-los.
Todos esses fatores, que nos beneficiam, foram olimpicamente ignorados tanto pelos críticos internos (há aqueles que desejam ter uma dimensão do que foi concedido, o que é legítimo, e os que simplesmente induzidos pela loucura pregam o quanto pior melhor) como por esses com dor de cotovelo que ainda olham o Paraná com a nostalgia da 5ª Comarca de São Paulo. Se São Paulo tem como divisa o ducco, non duccor, o conduzo, não sou conduzido, o Paraná, até por respeito a essa origem que nos orgulha, também se obriga, por todos os motivos, a seguí-lo.
BIZARRICE - Anunciaram a ida de Rafael Greca, após o spa, no Jô Soares, Onze e Meia. Os áulicos do prefeito estão de tal forma entusiasmados com o quanto estaria enxuto, que seria um encontro entre o gordo e o magro.
SPRAY - Mais oito ônibus quebrados depois do futebol de domingo e 20 na Pedreira, no lançamento dos Jogos da Juventude. Pergunta-se: temos Secretaria de Segurança ou apenas um órgão disposto a faturar o espetáculo? - Vem aí o circo outra vez: a prefeitura finge que fiscaliza, o sindicato de motoristas e de cobradores finge que faz assembléia (com quórum insignificante, tal qual o plebiscito ridículo do provão) e que faz greve e nós, outros, usuários, fingimos que não estamos sendo, outra vez, enganados. - Acerto de contas com o Atalla na base de 64% de deságio (de R$ 80 milhões a dívida cai para R$ 29 milhões), se houvesse um mínimo de espírito público, daria uma CPI. Aliás essa dívida só serviu para promover governos, desde o regime militar até o de Álvaro Dias, que vivia prometendo dar duro contra o feudo de Porecatu. - A Associação Comercial ouviu ontem e ficou entusiasmada com os planos da educação do governo Lerner (tanto a Universidade do Professor como o de racionalização do ensino médio) mostrados pelo professor Ramiro Wahrhaftig.
FOLCLORE - Na eleição de Londrina, o que não existe é espaço para a racionalidade. Não se discute proposta: Belinati defende o governo e Hauly ataca. Tenta-se jogar a população num divisor falso quando as presenças dos dois na prefeitura de Londrina e na de Cambé e mais na Secretaria da Fazenda daria material suficiente para aferição. E quanto aos governos que os apóiam, daria empate, porque se o estadual pouco faz por Londrina, o federal apenas parasita.





