A Criptococose conhecida por Torulose é uma micose (nome genérico das infecções causadas por fungos) que simplificando, danifica os pulmões e o sistema nervoso central dos homens e de outros animais. Os sintomas podem ser confundidos com meningite e pneumonia. É mais prevalente nos homens do que nas mulheres. Este fungo é frequente em solos úmidos, vivendo livremente e se alimentado de resíduos orgânicos, como fezes de aves entre outros. Ocorre em todo o mundo e principalmente em pacientes com AIDS.

Em Londrina, neste ano foram registrados três casos desta doença onde os pacientes podem ter adquirido das pombas brancas ou em qualquer galinheiro do mundo já que é uma doença cosmopolita. Embora, 0,0006% da população foi contaminada, a cidade como um todo se voltou contra as aves, e o lema agora é o assassinato em massa das margosinhas.

Londrina tem 170 mil pombas e no mínimo um milhão de ratos. Os ratos transmitem para a população, duas viroses, seis bacterioses, inúmeras micoses e seis parasitoses que matam centenas de vezes mais do que os pombos e nenhuma voz se levanta contra eles? Injustiça essa falta de promoção dos ratos, pois ganhariam qualquer concurso de contaminação e matança.

Inteligentes são os morcegos que vivem na escuridão e mexem mais com o imaginário das pessoas e infeliz de qualquer grupo de animais que aparecer na luz do dia frente a frente com Homo sapiens de Londrina. Agora dá para entender porque as andorinhas fazem verão em Cambé, Rolândia, Arapongas, fazendo a revoada tranquila de milhares de indivíduos se alimentam e diminuindo os insetos causadores de pragas.

Para quem entende o valor da matemática, estas mortes por criptococose, que também pode ser transmitida de qualquer galinheiro, ou da natureza, somado ao fato da necessidade de existir um organismo fraco e sem resistência, são mais insignificantes estatisticamente que um raio que cai ao acaso ou um galho de árvore que o vento derruba, uma cadeira que quebra derrubando alguém.

Em Londrina um grande número de acidentes com mortes, centenas de vezes maiores do que a criptococose, acontece por ingestão de álcool pelos menores. Acidentes de automóveis, crimes com armas, incêndios, quedas, violência doméstica, estupros. Nenhum cidadão grita em favor da vida dos jovens em detrimento do álcool, o que seria muito mais fácil do que matar as pombas e salvariam muito mais vidas. (vide corpo de bombeiros)

Já temos os praguicidas, os organicidas, os biocidas, os ovicidas, os carrapaticidas, os fungicidas, os herbicidas, etc, e agora em 2009, Londrina lança os pombicidas. Vamos matar os pombos, vamos matar também as andorinhas se cruzarem a linha que divide Cambé de Londrina, e assim continuando até que encontremos o nosso próprio apocalipse.

O desconhecimento tem levado a espécie humana a constantes crimes como o fato do homem ter exterminado mais espécies animais nos últimos 50 anos do que toda a história da humanidade.

A espécie humana deveria reconhecer o direito da existência das outras. O genocídio perpetuado no homem deixa em risco quaisquer espécies que apareça mais do que ele. Deveríamos rever os nossos direitos considerando que o respeito pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelos seus semelhantes. Poderíamos passar sem deixar este feito na história.

NELIO ROBERTO DOS REIS, doutor em Ciências e professor titular da Universidade Estadual de Londrina


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