A doença crônica da falta de verbas
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 1997
Dr. Rosinha 
Brasil, 1996. 1) Falta vacina tríplice nos postos de saúde. 2) 99 idosos morrem, sendo 30 por diarréia e 27 por maus tratos, na Clínica Santa Genoveva do Rio de Janeiro. 3) 36 bebês morrem no hospital Materno-Infantil Nossa Senhora do Nazaré em Boa Vista, Roraima. 4) 60 pacientes submetidos a hemodiálise no Instituto de Doenças Renais em Caruaru (Pernambuco) são mortos por contaminação. 5) 10 bebês morrem no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, no Rio de Janeiro. 6) Registradas 51 mortes em apenas 20 dias de novembro na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, em Fortaleza no Ceará. 7) 5 recém-nascidos mortos por infecção no Hospital Universitário de Vitória no Espírito Santo. 8) 30 recém-nascidos morrem por infecção hospitalar no Hospital Universitário Materno-Infantil em São Luis, no Maranhão.
Raro é o dia em que um ou outro veículo de comunicação não traz notícias ruins sobre o atendimento à saúde no Brasil. São matérias que têm em comum a crise da saúde. Aqui no Paraná, em que a maior parte da população acreditava que estavamos livre das tragédias registradas em todo o país, a situação não é diferente. Não é de agora que os problemas de saúde no Estado viram manchetes de jornais, mas só recentemente a opinião pública teve condições de tomar conhecimento da gravidade da situação.
As mortes registradas no Hospital Universitário de Maringá por falta de condições de atendimento são apenas uma ponta do iceberg, são uma pequena amostra do caos que a cada dia toma conta do atendimento à saúde da população, principalmente das pessoas de baixo poder aquisitivo que não tem recursos para pagar os caros serviços da medicina privada. A falta de verba acarreta, entre outros problemas, falta de pessoal adequado, medicamentos, exames laboratoriais, vagas insuficientes e o não encaminhamento de pacientes. A tudo isso se junta os baixos salários daqueles que prestam serviços.
No caso de Maringá e outros que foram registrados ao longo dos últimos anos, o Governo tenta jogar a culpa nos funcionários (públicos ou privados) e médicos. Com isso, se isenta de qualquer responsabilidade. Parte dos médicos tem algum grau de responsabilidade, assim como a maioria dos donos de hospitais, mas na realidade os verdadeiros culpados estão no Governo Federal e Estadual.
A Secretaria Estadual de Saúde, através do secretário Armando Raggio, admite publicamente e até fez denúncias na imprensa de que muitos hospitais sonegam leitos para pacientes do SUS - Sistema Único de Saúde. A simples constatação pelo órgão governamental de nada ajuda. Em dois anos de governo nada foi feito para reverter esse quadro.
Falta vontade política e coragem aos governantes. Vontade política de investir mais na saúde e coragem de intervir nos serviços (hospitais, clínicas e laboratórios que boicotam o SUS). Só para ficar no nosso Estado, o atual Governo alocou para a saúde no ano de 96 somente 3,15% da arrecadação própria. Para este ano (1997) está orçado apenas 2,5% - os mais baixos investimentos da saúde já registrados nos últimos 4 anos. Esses índices ficam muito aquém do deliberado pela 2º Conferência Estadual de Saúde, que propõe o mínimo de 10%.
A saúde no Paraná, como em todo o Brasil, está doente. Ela foi contaminada pela doença crônica da falta de vontade dos nossos governantes. E agravada pela corrupção e mal uso do dinheiro público.


