A dobra que faz toda a diferença
Londrina é uma cidade maravilhosa e os artistas que aqui habitam, igualmente
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terça-feira, 09 de setembro de 2025
Londrina é uma cidade maravilhosa e os artistas que aqui habitam, igualmente
Janaína Ávila 
No último final de semana, Londrina foi invadida por artistas através da programação do Dobra, o festival e feira dedicados às artes impressas e que só aconteceu por causa do patrocínio do Promic, o programa municipal de incentivo à cultura. O nome, “dobra”, me levou a fazer algumas reflexões no gramado da Funcart, onde aconteceram os shows de nomes importantes da cena independente nacional e local. Londrina é uma cidade maravilhosa e os artistas que aqui habitam, igualmente. Primeiro que fazer arte é ser resistente e resiliente. Ainda mais essa arte que passa longe do grande público, uma arte que parece reservada (mas não é!), quase sempre fechada nos ateliês e à disposição de quem sai da preguiça causada pelo consumo da arte que vem empacotada.
Que surpresa encontrar tantos londrinenses expondo nas três salas de balé transformadas em campos de batalha, no bom sentido, com cada artista disputando a atenção dos visitantes com cores, traços, costuras, tecidos e dobras... Eram mais de 70 e de todas as regiões do país, um número que parece grande, mas pequeno para o tanto de gente que vi circular no pouco tempo que passei no evento. Sair de lá com cartões de visita e outros gadgets que generosamente cada um produziu para o evento faz qualquer um se sentir parte desse mundo tão especial. Se a gente pensar bem, as “artes impressas” estão no nosso cotidiano e mostrar para o grande público que isso é arte determina um papel importante para o evento que, na sua oitava edição, tem tudo para crescer e se tornar uma referência para todo o país (se já não é, perdoem a minha ignorância).
Outra dobra disso é a importância das leis de incentivo à cultura, que merecem ser defendidas e fortalecidas por quem se importa com a saúde mental da população. Mostrar o belo, a arte, a cultura como parte essencial da vida de qualquer cidadão é coisa para quem sabe do poder que isso tem em aliviar a dureza dos nossos dias cinzas, sem cor e sem graça. São muitas as possibilidades e um festival existe justamente para mostrar a diversidade e multiplicidade de ações que conseguem fazer isso: trazer a beleza para dentro da vida. A complexidade das “artes impressas” me leva a pensar que cabe tudo nessa dobra e que um evento como esse, realizado pelo coletivo Grafatório – um grande tesouro da cidade, merece o cuidado e sensibilidade para seguir existindo, cada vez mais forte, cada vez mais inclusivo e cada vez mais conhecido.
A cultura em Londrina vai muito bem, obrigada. E mesmo com tanta gente torcendo contra, os produtores estão aí, trabalhando duro para não deixar o londrinense esquecer da cidade que tem, que pulsa, que dança, que desenha, que grita alto e sorri na cara dos caretas. Londrina é generosa e um festival como o Dobra mostra que aqui tem também espaço para quem vem de fora, para somar e fazer dobraduras à beira do Lago Igapó. Vida longa ao Dobra e força para todos os festivais da cidade. Vocês nunca serão esquecidos e não estão sozinhos!
Janaína Ávila, jornalista, produtora e apresentadora do programa Mundo Sonoro (UEL FM)


