A cada eleição a pergunta que surge com mais freqüência é por que os candidatos estão sempre aquém das cidades, do Estado e do País que pretendem representar. Ou pior: como escolher entre um candidato ruim e outro pior ainda. Nestas eleições para prefeito e vereadores nunca estas perguntas foram tão representativas. Traduzem, com exatidão, o espírito do eleitor. O desgosto dele com sua classe política não começa, nem termina, na campanha eleitoral, que é apenas a conseqüência, não a causa. É preciso lembrar que a base da democracia é constituída de partidos, com suas ideologias. As vocações de liderança se constroem dentro dos partidos e vão seguindo seu rumo com o surgimento das candidaturas, em seus diversos níveis, até o afunilamento para as instâncias superiores de poder. É assim que a democracia deve funcionar. No Brasil, não. Aqui os partidos têm donos, não líderes; têm políticos, não estadistas; têm ditadores, não democratas. E os exemplos estão aí, para quem quiser ver. Os verdadeiros líderes exercem o poder sob o prisma do futuro do partido. Os ditadores se utilizam do poder apenas para ampliar seus domínios por mais tempo. Eis a diferença. A partir daí tudo se esclarece. Para manter o poder os ditadores interrompem, boicotam e afastam as lideranças legítimas que se formam dentro dos partidos. Antes de serem uma solução, elas representam uma ameaça constante às ambições pessoais. Para manter o poder, os ditadores escolhem, protegem e fortalecem os mais fracos, os mais obedientes, os que fazem o jogo do poder sob tutela. Ou, num quadro ainda mais grave, também estão aí aqueles que se colocam como donos de um partido, negociam a céu aberto o apoio da sigla, estabelecem preços, pechincham, num verdadeiro balcão do ‘‘é dando que se recebe’’. São os mais medíocres os que se contentam com as migalhas que caem da mesa dos verdadeiros poderosos, e servem a qualquer senhor. Nunca passarão de serviçais. Eis aí os mecanismos da ditadura partidária, que oferece na bandeja os piores candidatos, exatamente como agora, os mais incapazes e, portanto, muito mais vulneráveis. E a cada eleição esta espiral desanimadora se amplia, formando uma classe política que não corresponde aos desafios e às necessidades da cidade, do Estado e do País. O eleitor continuará votando, sim, porque este é, sobretudo, um dever cívico e um exercício democrático. Mas os políticos que não esperem a peneira tapar o sol para sempre. Nesta campanha municipal não houve empolgação com os candidatos apresentados pelos partidos. A escolha do eleitor está sendo muito mais por eliminação do que por esperança.

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