A disputa entre a soja convencional e a transgênica
Os dez anos de existência da soja transgênica não definiram se este produto geneticamente modificado é melhor que a soja convencional. Sexta-feira, na coluna Painel do Agro-negócio, deste Jornal, o debate foi novamente levantado, porque está escrito que o custo da soja tradicional chega a ser duas sacas mais baixo que o da transgênica. Palavra de Cesar Borges, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não-Geneticamente Modificados. Este é um contraponto nos argumentos dos defensores da soja transgênica, que ostentam a marca de 50% dela presente na área plantada de Mato Grosso (o maior produtor brasileiro da leguminosa).
Mas há que considerar na contrapartida que duas décadas do novo experimento não foram suficientes para afastar os outros 50% das lavouras cultivadas com a soja tradicional, naquele Estado. Na região de Campos Novos de Parecis, norte de Mato Grosso, a velha soja ocupa 80% do total plantado.
Ivan Pagani, gerente-técnico daquela entidade, fala de sua opção pelo grão tradicional e diz que essa escolha é meramente comercial e não ideológica. Ele diz que se o Brasil também optar por ela terá um grande mercado na Europa e na Ásia. Cesar Borges vinha de uma rodada tecnológica em Parecis e afirmou que a soja convencional não vai perder muito terreno para a transgênica nesta safra, naquela região. Certamente irá prevalecer a opção pelo produto que ganhar a preferência dos importadores. Ainda não se esgotou a discussão sobre eventuais riscos dos produtos transgênicos para a saúde humana e animal, porque isto não recebeu ainda um parecer da ciência algo que, segundo os estudiosos, demandaria uma longa avaliação, abrangendo uma ou duas gerações de consumidores. Por ora só se conhece o sucesso da tecnologia, que é apenas um ramo da ciência. A tecnologia pesquisa e aperfeiçoa a linhagem de produtos, mas avaliar consequências de consumo é trabalho científico e sabe-se que a ciência não dá saltos.
Afirmações de que os dez anos de consumo não produziram efeitos danosos é um argumento empírico, porque este tempo é pouco para uma conclusão. Esta é a voz incontestável da ciência. Fala-se também empiricamente de eventuais alterações nas células humanas pelo consumo, por suposta mutação genética que ocorreria por quebra da cadeia harmônica presente na natureza e que veio possibilitando ao homem, até aqui, ingerir com segurança tudo o que come e bebe. Essa discussão não se fecha apenas pelo que se conhece, porque por ora só falaram vozes do interesse.





