Candidato do PPS a presidente da República, Ciro Gomes encontrou a gasolina que faltava para encher o tanque do seu BMW: aquela parcela do eleitorado descontente com o governo Fernando Henrique Cardoso, mas que tem medo do PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Essa turma é grande. Segundo os especialistas em pesquisa, reúne 30% do eleitorado.
Esse pessoal vê em Ciro alguém que já foi do governo, apoiou o Plano Real no seu início e hoje se diz desiludido com Fernando Henrique Cardoso. No imaginário popular, Ciro é assim... meio tucano e atrai a direita. Está fora da oposição clássica. E é aí que o candidato espera surfar e encher o tanque da sua campanha, aproveitando o que o governo tem de bom e prometendo acabar com o que o governo tem de ruim, como o índice de desemprego, a pouca perspectiva de desenvolvimento.
Nessa perspectiva, Ciro baterá de frente com José Serra, o candidato do PSDB. Esse pessoal que fala em mudar mas só um pouquinho é justamente o grupo que Serra pretende atingir para ir além dos votos fiéis ao presidente Fernando Henrique. Mantido o cenário atual, as dúvidas são os destinos de Ciro e de Serra. Anthony Garotinho (PSB), se continuar fazendo comícios para cem pessoas como fez em Pernambuco, estará fora. E Lula já é considerado figurinha com passaporte carimbado para o segundo turno.
O duelo já pode ser visto no horizonte. Vai ser um momento lindo, leitor-eleitor. Pode se preparar. Ciro já disse que Serra apostou contra o Real. E Serra afirmou que Ciro é um novo Collor. A comparação com o ex-presidente Fernando Collor pode acabar com Ciro. Ele odeia, abomina ser comparado ao presidente que jurava fazer e acontecer, mas terminou expulso do governo, envolto em suspeitas de corrupção. É capaz de engolir um cigarro aceso quando alguém lhe faz esse tipo de comentário.
Serra também não tem muita paciência quando a pergunta é desfavorável. Como Ciro, reage de forma ríspida quando considera a pergunta uma provocação. E, na campanha, Serra e Ciro terão que debater. Afinal, essa história de campanha não é brinquedo, não. No segundo turno, estará em jogo o poder de dirigir o Brasil e a sua vida, leitor-eleitor, pelos próximos quatro anos. Os dois se acham capazes de vencer o PT no segundo turno. Mas, para isso, disputarão agora o duelo do Real com mudanças. E, sobre o resultado desse jogo, nem mesmo os videntes arriscam palpite.
DENISE ROTHENBURG é jornalista em Brasília

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