A discutida lei de gratuidade para idosos
O Governo costuma fazer cumprimento com chapéu alheio, e isto fica demonstrado, mais uma vez, com a obrigatoriedade de as empresas transportadoras de passageiros destinarem assentos gratuítos para idosos pobres. Indiscutível que os mais velhos devem merecer todo o cuidado e carinho, mas se as empresas no geral não recebem privilégios governamentais - ao contrário, são muito tangidas - elas deveriam ser compensadas de alguma maneira para fazer essa concessão. Os bancos, por exemplo, não são obrigados a destinar uma cota de dinheiro gratuíto para os idosos carentes, mas a seguir essa regra das passagens de graça eles deveriam fazê-lo.
O banco é apenas um exemplo, porque, se um segmento empresarial é obrigado a conceder determinado favor, que isto seja então uma regra geral, de forma que obrigatoriedades sejam iguais e assim as recompensas correspondentes sejam também uma norma. A obrigação da passagem havia sido suspensa em dezembro, mas agora foi restabelecida, por decisão do Supremo Tribunal Federal. E se o Governo arrecada tanto e esbanja proporcionalmente, deveria economizar em seus luxos e destinar cotas para aquisição dessas passagens gratuítas. O povo ainda continuaria sendo o pagador, mas haveria uma democratização do sistema.
Tirar das suas mordomias e assim beneficiar os mais velhos, isto os governantes não fazem, preferindo ficar com os louros da promoção populista e jogar o encargo sobre as empresas privadas do setor. Por essas atitudes percebe-se como prevalece o conceito de que as classes empresariais devem prover tudo, como se elas fossem responsáveis por algum débito público, quando todos sabem que - e em que tamanho! - esse débito é do Governo. Há muitas maneiras de contemplar os idosos mais pobres, como eliminar as filas do INSS e que têm velhos ou doentes na maioria. O direito à moradia decente, para os idosos mais necessitados e suas famílias, não tem sido prioridade governamental, nem o é no Governo populista de Luiz Inácio Lula da Silva.
Bom que o Presidente faça o mais que puder para os idosos de renda baixa - como a dos contemplados com as viagens gratuítas - mas não à custa de um determinado segmento privado, que assim passa a ser o único obrigado a algum dever extra, e isto no mínimo não é democrático. O Sistema Único de Saúde, por exemplo, que atende mas tem suas precariedades, beneficiaria melhor os idosos pobres se fosse mais abrangente e mais funcional, como ocorre nos países socialistas e cujo ideário petista (do regime no poder) demonstra representar. Se passear é bom e todos apreciam, nem sempre os idosos podem viajar sozinhos, e esta não é a sua maior necessidade quando existem outras mais urgentes.





