A discussão sobre as opções energéticas
As usinas hidrelétricas são condenadas pelos ambientalistas porque inundam sítios arqueológicos, danificam a biodiversidade e alagam matas e áreas agricultáveis; a energia nuclear é combatida pela ONG Greenpeace por causa dos perigos do lixo atômico e de eventual vazamento de radiação; a bioenergia também encontra resistentes, porque produzida a partir de alimentos ou ocupando áreas que podem servir à produção alimentar.
Domingo este Jornal publicou reportagem sobre as usinas nucleares de Angra dos Reis e uma entrevista (no local) do repórter da FOLHA Eli Araújo com o engenheiro naval Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear e que defende essa fonte energética como a ''opção futura do Brasil''. Ontem, em declaração também à FOLHA e contestando aquele técnico, o economista Hermas de Melo afirmou que o Brasil não precisa de mais energia e sim do uso racional dela, porque no seu entender há desperdício e mau aproveitamento.
Segundo o engenheiro - citando declaração do ministro das Minas e Energia - seriam necessárias 47 usinas nucleares para atender à demanda brasileira de energia elétrica até 2050. Ele afirma que a energia nuclear é limpa e segura, mas os acidentes com as usinas de Three Mile Island nos Estados Unidos, em 1979, e de Chernobyl na Rússia, em 1986, negam isto. O desastre de Chernobyl está gerando sequelas até hoje. O Greenpeace argumenta que os problemas têm início na mineração de urânio, pela contaminação de lençóis freáticos e poços artesianos, e que aumentam à medida que o mineral é enriquecido para produção do combustível nuclear. Outra questão levantada pela ONG é o que fazer com o resíduo radioativo, afirmando que nenhum país encontrou solução para ele. No rastro dessa manipulação do urânio - alerta ainda o Greenpeace - vêm as armas atômicas. Uma coisa é incontestável: se houver vazamento radioativo de grande proporção toda a humanidade será atingida.
Hermas de Melo diz que as indústrias podem diminuir o consumo com modernização de sua maquinaria, assim dispensando-se mais usinas. As alternativas energéticas são múltiplas, e uma delas - a solar - não está ainda desenvolvida, embora apontada por muitos como a energia do futuro. Os dias do amanhã são uma incógnita quanto às energias ideais que o homem utilizará. Os futurólogos apontam que tudo o que hoje existe nesse campo será obsoleto diante do que está por vir. O que se opina hoje a respeito parece, então, prematuro.





