Quanto tempo um pequeno empreendedor precisa para abrir uma empresa no Brasil? A FOLHA DE LONDRINA já simulou esta via crucis de quem ousa montar um negócio próprio e tem que romper um denso cipoal da burocracia oficial. Na ocasião constatou-se que a demora leva mais de 40 dias. O Banco Mundial fez os cálculos e informou que o tempo para abrir um estabelecimento comercial no Brasil é maior: exatos 152 dias. Naturalmente exagerou.
Agora o Banco Mundial e o governo brasileiro iniciam uma discussão em torno do tempo exato que se gasta para trabalhar na iniciativa privada. A discussão é hilariante.
O tempo para abrir uma empresa no Brasil é de cerca de 20 dias, e não 152 dias, como divulgado na semana passada pelo Banco Mundial, no relatório ''Doing Business'', segundo disse o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, ontem, em evento da Fecomercio SP.
O ministro está bravo. Você, leitor, pode rir, pode achar que essa discussão é estéril, que não leva a lugar algum. Mas o ministro está falando sério. Afirmou que o dado do Banco Mundial foi recebido com ''perplexidade'' por ser igual ao de cinco anos atrás. Miguel Jorge deve achar que 20 dias passam rápido. Ele foi um grande dirigente no setor das montadoras de veículos no tempo em que nossos carros foram considerados ''carroças''. Isso tem a ver com velocidade no tempo e no espaço.
Na verdade, o problema no Brasil não está na abertura de um estabelecimento, qualquer que seja a atividade. O grande desafio é permanecer na atividade com o tipo de sócio que se tem. O sócio em questão é o setor público, muito guloso, que abocanha tudo.
A voracidade se dá de várias formas: impostos elevados (que só beneficiam os bancos), uma legislação trabalhista superada que não beneficia o trabalhador e desincentiva o empregador. Há outras dificuldades, para não citar a farra dos importados, principalmente os produzidos na China por uma mão-de-obra barata. Enfim, as amarras são todas as que o leitor já conhece. E o custo disso também é uma estatística sobejamente conhecida: mais de 35% da receita.
Num cenário desses o ministro Miguel Jorge, que vem do setor privado, perde tempo em contestar os dados do Banco Mundial sobre o que se gasta para autorizar a abertura de estabelecimentos no Brasil. Não é de rir, é de chorar, como diz o caboclo.
O governo tem que se preocupar em desonerar as empresas para que o comércio e a indústria cresçam, gerem empregos, recolham impostos, estimulem o giro. Havendo dinheiro na praça, o povo - empregado - consome e o comércio ganha liquidez, redistribuindo a riqueza. Por favor, senhor Miguel Jorge.

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