A dificuldade de eleger os melhores
Uma tecla batida e rebatida é a de que se deve escolher melhor os governantes no momento do voto. Nada mais acertado, mas também aí ocorrem equívocos, porque o eleitor bem intencionado aquele que não vende o voto e não visa outro proveito individual no mais das vezes imagina estar votando certo mas o candidato que elege pode decepcioná-lo. No caso do presidente Lula, não se pode afirmar que tenha enganado os brasileiros, mas percebe-se agora que ele não tinha noção da real dimensão do poder que sempre desejou assumir e que finalmente assumiu. Falar é uma coisa, executar é outra, e constata-se que seu governo não tem projetos, a não ser palavras e palavras. Tudo como no tempo em que o candidato caminhava à margem como voz forte de oposição.
Ocorre que o postulante a cargo eletivo é produto do meio social e é desse meio que saem os políticos. Falta, antes, uma purificação do meio, para dali emergirem seus estratos. Os considerados bons, que resultariam em bons governantes, temem candidatar-se e assim permitem que só se habilitem os mais espertos e propensos a tirar vantagem. O que tem acontecido no mais dos casos, então, é a escolha do melhor entre os piores ou do pior entre alguns bons. Tem havido as exceções, quando competentes e honrados cidadãos ousaram lançar-se na política e sucederam-se bem. Mas esses ousados não são muitos.
O eleitorado brasileiro, quando sabe escolher, tem que optar pelo que está disponível. Se o candidato é honesto, ainda assim pode revelar-se incompetente como administrador público, e isso é também uma forma de frustrar esperanças dos cidadãos e privá-los de benefícios, pela indecisão desse tipo de governante e pela sua incapacidade de mobilização. E há aquele que ''rouba mas faz'', frase cunhada a partir do exemplo do governo de Ademar de Barros, no Estado de São Paulo. Nem uma coisa e nem outra é o que se espera dos governantes.
Certamente que é possível escolher, mas então que os bons tenham coragem e se apresentem para concorrer; e a sociedade, que busque também melhorar-se politicamente participando dos partidos e ajudando a selecionar os candidatos já na origem que assim, de seu meio, sairão igualmente políticos melhores. Cada agrupamento social, em qualquer país, reflete-se nos governantes, e estes são o reflexo do povo. Esta é uma verdade histórica e que nunca se alterará. Se o meio é saudável, não sairá dali político doentio. O povo brasileiro apenas vota mas não participa do processo das decisões e de policiar os políticos que elege. Pensa-se democrático apenas pelo exercício do voto mas omite-se na continuidade, e assim não exerce cidadania.
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