A difícil tarefa de desorganizar o crime
A notícia de que líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) organizam o tráfico de drogas e outras atividades criminosas diretamente do exterior não causa tanta surpresa quanto deveria. Um negócio que rende anualmente cerca de US$ 320 bilhões (R$ 756 bilhões ) - segundo a Organização das Nações Unidas - exige um nível alto de sofisticação. Seria ingenuidade das autoridades policiais e da população acreditar que os bandidos que operam o comércio internacional de entorpecentes não buscariam alternativas para continuar "trabalhando", mesmo foragidos da Justiça.
Como o executivo que cursa um MBA nos Estados Unidos, o crime organizado também busca pós-graduação lá fora. É o que mostra investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo o órgão ligado à Polícia Civil de São Paulo, um dos chefões da facção, Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, está em Orlando (EUA). A Polícia suspeita que ele tenha viajado para aprender como cartéis de drogas do México se organizam. Outro líder do PCC atuaria do Paraguai.
Do exterior, as informações chegam facilmente para os comparsas que atuam fora e dentro das prisões. Infelizmente, não é novidade o uso de celulares nas cadeias e nem a facilidade como as informações entram e saem das celas e vão diretamente para os outros membros que estão em liberdade e colocam em prática as ações criminosas. Um exemplo disso foi a série de atentados, incluindo dezenas de ônibus incendiados, no ano passado, em várias cidades de Santa Catarina.
As organizações criminosas têm na corrupção e na impunidade dois grandes aliados, parceria antiga e comum em muitos países basta relembrar o poderio das máfias que se organizaram em muitos países, como Itália, Rússia, Colômbia e Japão.
Voltando ao tráfico de drogas, é importante que a Polícia também tenha recursos para se aperfeiçoar. Mas isso não resolverá o problema se na outra ponta o consumo de substâncias ilícitas, como o crack, não for tratado como um problema de saúde pública. É preciso multiplicar, em todo o País, a quantidade de centros de tratamento para que os dependentes tenham chance de mudar de vida. Também é necessário reforçar de forma criativa e eficiente as campanhas educacionais para evitar que as novas gerações entrem nas estatísticas futuras de usuários de drogas.





