A difícil situação dos ambulantes
Apesar da proibição, os vendedores ambulantes estão voltando à região do Terminal Urbano, em Londrina, e o problema parece de difícil solução, porque é também difícil a situação de pessoas que precisam sobreviver e não encontram outro tipo de trabalho. A implantação do camelódromo foi uma solução, mas novos ambulantes surgiram e o terminal de ônibus é uma boa opção para eles, porque ali concentra-se o maior número de fregueses. Esses vendedores travam diariamente um duelo com os fiscais. Alguns deles que foram ouvidos por este Jornal são desempregados, conscientes da proibição, mas declaram que não têm outra alternativa. Com renda média de R$ 20/dia, eles se mantêm e também dão o sustento aos familiares. Quando a fome dos filhos assola um lar, qualquer pai de família ''enfrenta baioneta calada e dá murro até em ponta de faca'', pondera o velho adágio do entendimento popular. ''Não temos escolha'', declara um dos ambulantes. Com toda a certeza, todo um exército de fiscais, mesmo que se apresentasse municiado de ostensivo armamento, não amedrontaria tanto uma pessoa quanto o fantasma da necessidade. O poder público informa que a fiscalização será intensificada nos próximos dias, sob o argumento de que os ambulantes atrapalham os pedestres e comprometem a segurança. Se é dever dos órgãos competentes a manutenção da ordem e a execução da lei, é igualmente um dever do Estado pensar os problemas sociais, que por extensão são também atribuição da sociedade. Endurecer a fiscalização será transferir o problema de um lugar para outro, e se o poder público afasta o ambulante aqui tem de socorrê-lo lá adiante, em forma de algum custo social que ele representará. É preciso pensar soluções inteligentes, mais salvadoras do que punidoras, porque o vendedor ambulante não é um delinquente. O problema do desemprego e suas mazelas não é apenas um fenômeno londrinense, mas nacional e da maioria dos países, e se um desempregado encontra por seu próprio meio uma saída, sem recorrência ao poder público e sem causar dano a terceiros, há que louvar esse fato. No Brasil vive-se uma situação de ''salve-se quem puder'', isto no sentido de ganhar honestamente a vida, e é isso que fazem os ambulantes. Dos males, o menor. Sem desprezo da busca de promover o desenvolvimento e gerar trabalho para todos, há que haver cautela ante o delicado problema social da sobrevivência. Afinal, a cidade é gerida pelo regime do Partido dos Trabalhadores. Se há um trabalhador exercendo o seu trabalho e cuidando de seu sustento, então ele está implicitamente vinculado à legião dos trabalhadores. Não há então por que puni-lo e sim dar-lhe guarida.





