A difícil e perigosa missão do policial-militar
Nestes tempos turbulentos que imperam no Brasil, ante tanta violência e terror vividos pela população - um mal que parece emanar da violência que ocorre em todas as partes do mundo - a missão dos organismos de segurança é um exercício árduo e perigoso, e sobretudo de coragem. O trabalho do jornalista Wilhan Santin e dos repórteres-fotográficos Sérgio Ranalli e Evandro Monteiro, mostrado em reportagem de ontem deste Jornal, é um trailler dos dias e das noites de ronda de um dos efetivos de ação pesada da Polícia Militar de Londrina - o Pelotão de Choque. Eles acompanharam por alguns dias, montados nos próprios veículos dessa tropa de elite, o que é policiar a cidade por ruas escuras e sob constante risco e tensão na faina de ''pegar bandidos''.
Se a violência está longe de ser debelada - e tome-se Londrina como uma amostragem, porque a epidemia é nacional - as horas vividas pelos repórteres em companhia do Pelotãoá atestam que sem a ação constante desses agentes tudo seria pior, sem sombra de dúvida. Pela constatação da reportagem, os policiais têm muita informação sobre a legião dos bandidos e suspeitos, e falam sobre isso boa parte do tempo. Para prende-los será preciso flagrá-los em ação, mas a operação de abordagem é constante. E os riscos de reação são uma possibilidade, por isso os agentes recebem treinamento exaustivo. Mas não é apenas caçar bandidos. O Pelotão de Choque também é treinado para as operações anti-bombas, o controle de distúrbios civís, revistas em presídios, controle de rebeliões e outras intervenções nada aprazíveis.
Não é tarefa para amadores, porque exige audácia, mas com prudência e também doses de medo - estados emocionais que dão os parâmetros de equilíbrio e de sucesso de uma operação, com o menor risco de perdas. ''Quem não tem medo é louco'', ensina o sargento Marcos Johas, que comanda o Pelotão de Choque. Os repórteres, acompanhando a linha de conhecimento desses agentes de repressão, ativam a percepção da triste realidade de pobreza existente na cidade, não conhecida in loco pela maioria da população. Muitos e muitos jovens estão afundados no vício das drogas, e nesse universo de tráfico e consumo acontecem os assassinatos, que recheiam o noticiário do dia-a-dia.
Um rapaz suspeito é abordado. O Pelotão lhe dá voz de prisão. Ele faz que não ouve. Outra ordem, e ele cede. Antes de colocar as mãos na parede, de costas, tira da cintura um revólver calibre 38 e o põe na chão. A arma é apreendida e ele é levado preso. A reportagem assiste. O que quer o rapaz, com um revólver? Um assalto ou um assassinato podem ter sido evitados com essa ação. Que é apenas mais uma entre tantas, que nem sempre vão para o noticiário e para o conhecimento público. Às vezes o enfrentamento do Pelotão com bandidos perigosos resulta em tiroteio, e sobram balas para todos. Também policiais tombam.





