Apregoa-se que 2 mil imóveis em Matinhos, no Litoral do Paraná, devem à prefeitura R$ 10 milhões, tudo acumulado desde a década de 80. Proclama-se também severos leilões de imóveis, dos contribuintes, é claro. Daí a indagação do cidadão comum e se, principalmente, proprietário no Litoral: por que o relacionamento contribuinte/prefeitura chegou a tal deterioração no Litoral do Paraná? Seriam relapsos, negligentes, sovinas, infratores e masoquistas os contribuintes de Matinhos, que além de não cumprir com a sagrada obrigação fiscal, sonegam e sentem prazer ao ver seu patrimônio leiloado?
Desculpem-me, mas quem marcou certo, errou! O desastre fiscal de Matinhos e municípios vizinhos tem apenas um responsável que é o próprio cobrador, agora executante. Desprestigiando o investimento imobiliário, importante gerador de emprego e de tributos, coube ao litoral paranaense o retrocesso. Indiferente à evolução do Estado, o agora executante olvidou o direito do contribuinte. O resultado tardou mas não falhou: imóveis abandonados, inadimplência fiscal e, agora, este curioso leilão.
Realidade desta situação encontra-se no Balneário Riviera 1 e adjacências. O valorizado loteamento agoniza moribundo perante a inépcia e o descaso. Edifícios de apartamentos e residências de excelente padrão estão ameaçados de destruição pelo mar, em ressacas que já enfeitaram páginas estaduais e nacionais. A avenida beira-mar, quem diria, no passado asfaltada, deixou de existir em boa parte. Foi cruelmente tragada. Nem mais o acesso a suas casas têm os moradores e pagadores de impostos, substituídos que são, tristemente, por invasores e marginais.
Alegam os administradores falta de recursos e até as muito em moda questões ecológicas. Referem ser o problema do Estado e até da União. Destarte, pouco ou nada fazem para minorar a crescente desvalorização. Ninguém acredita em ninguém. No entanto, a grande verdade é que sempre coube ao município impostos, taxas e alvarás, bem como licença para lotear e construir. Justificar o injustificável com vultosos investimentos feitos na ‘‘divina’’ e vizinha Caiobá - gente fina é outra coisa - demonstra desconhecimento da questão. É, simplesmente, chover no molhado.
Entende-se portanto, salvo melhor juízo, não ter sido o contribuinte que caloteou a administração, mas sim, a administração que o enxotou. Restou, obviamente, amargar cofres vazios.
Senhores prefeitos do Litoral: o Mercosul é uma realidade. O Paraná vive desenvolvimento irreversível. Curitiba, com a industrialização exige belas praias, próximas e acessíveis. Atentemos para a inquestionável debandada de pessoas e de dinheiro para outros litorais. Só não enxerga quem não quer ver!
Aqui, no Centro-Oeste, nem mais se fala nas praias do Paraná, outrora procuradas. Perdemos a clientela. Esquecido, desprotegido e desanimado, resta ao contribuinte do Litoral paranaense, não somente bizarros leilões, mas, também, fugir do inclemente deus Netuno, que leva, irado, para as profundezas do oceano pedaços de município, com asfalto e tudo. Daí a discreta advertência aos senhores políticos: por motivos óbvios, Netuno não os quer por lá, mas, refere a lenda que o impiedoso deus dos mares aprecia conversar com eleitores insatisfeitos e segundo declarações recentes, detesta reeleição.
Se um arrematador aparecer no leilão de Matinhos: vendo, antes que desapareça, com todos os impostos em dia, uma bela residência finamente mobiliada, em Riviera 1. Concedo desconto, pois a avenida da frente já se foi!
- ARILDO LOPER, contribuinte em Matinhos, é médico em Ivinhema (MS)

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