A cada dia ficamos a refletir sobre qual a melhor política com o dólar: a adotada até então baseada na flutuação de acordo com o mercado ou a paridade que culminou com o desastre econômico argentino?
Temos que admitir que a política adotada pelo ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, o qual não deixava o dólar flutuar normalmente, ocasionou o represamento ocorrido em janeiro de 1999. Com a entrada de Armínio Fraga, à mercê dos riscos impostos diariamente pelo mercado tendo em vista nossa economia emergente, o então novo presidente do BC jogou as fichas de um enquadramento ao longo prazo para a cotação da moeda americana.
Temos que ressaltar que tivemos, como uma ajuda substancial, a política adotada, as grandes produções e mudanças impostas no meio empresarial brasileiro. É importante citar as privatizações e a adentrada dos grandes bancos internacionais em nossa economia somada aos efeitos colaterais de investimentos proporcionados por outros empresários em diversos ramos. Temos que destacar ainda as telecomunicações, energia e também o ramo de alimentação.
Mas, voltando ao início do artigo: é melhor 1 dólar valorizado ou 1 real supervalorizado? Com certeza temos que optar pelo equilíbrio da moeda, isto porque, se valorizarmos demais o real perante o dólar, o produto brasileiro ficará proibitivo e sem qualquer concorrência no mercado internacional, independente da qualidade, pois as economias, nos momentos em que estamos vivendo, exigem qualidade com baixo custo.
Se desvalorizarmos demais o real perante o dólar, estaremos estimulando uma inflação interna, já que os empresários, a todo custo, estarão exportando de qualquer forma para se capitalizar.
Exemplo: como vender um quilo de frango para o mercado internacional por 1 dólar e o mercado interno não suportar pagar mais do que 0,40 cents de dólar? A diferença entre o preço da exportação e o do consumidor interno tem que ser pequena para se estimular as duas pontas.
Desvalorizando o real e estimulando a exportação, os preços internos subiriam e, com eles, os índices inflacionários com efeitos colaterais diretos na economia. Passamos por momentos no segundo semestre deste ano, de cotações de dólar acima de R$ 2,80 e com perspectivas de altas. O governo, por sua vez, lançou papéis no mercado, indexando juros à variação da moeda americana, pois a instabilidade estava latente nos momentos de incertezas e o risco Brasil estava sendo acionado de forma negativa.
Passaram-se os meses e observou-se que os especuladores de plantão foram vencidos e a nossa economia fortalecida com o recuo do dólar verificado no mês de dezembro e em cotações abaixo de R$ 2,30.
Por isto temos que afirmar que o equilíbrio das duas moedas também dará equilíbrio a compra e venda do mercado, evitando-se especulações que só trazem prejuízos para todos os segmentos.
Para iniciarmos um bom ano, teríamos que continuar visualizando a política econômica séria e talvez até credenciando os responsáveis das áreas, atribuindo aos mesmos uma íntima ligação com os futuros governantes, pois assim se evitaria períodos de incertezas e instabilidades para investidores.
Esperamos também que nossa balança comercial se mantenha de forma positiva para que os produtores de dólares dos campos e também das cidades possam auferir resultados, senão melhores, pelo menos iguais dos alcançados no ano passado.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina

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