A desordem sem progresso - Luiz Fanchin Júnior
A desordem sem progresso
A bandeira brasileira traz no seu bojo o lema nacional Ordem e Progresso, que pressupõe um objetivo a ser seguido pelo povo e principalmente pelos governantes. Infelizmente, o que está acontecendo é exatamente ao contrário. Nunca se viu um desgoverno tão grande neste País. O presidente da República está desorientado, não sabe o que fazer. Já na primeira campanha eleitoral ele prometeu mundos e fundos, acabar com a corrupção, colocar a casa em ordem e o país em desenvolvimento. Nada disso está acontecendo, muito pelo contrário, estamos caminhando diretamente para o caos.
A desordem é tanta que nem os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) se respeitam. Uma empresa quando chega ao ponto em que não consegue a produtividade compatível com o seu objetivo, normalmente contrata alguém realmente competente para implantar um sistema adequado de organização e métodos que nada mais é do que colocar a cada em ordem para obter o progresso.
O primeiro passo para se fazer o diagnóstico da empresa, seria localizar os pontos de estrangulamento que impedem o desenvolvimento do trabalho. Quando uma empresa chega ao ponto de total desorientação e não consegue manter o controle das suas receitas e gastos, só tem uma alternativa: parar. Para reorganizar-se.
O Brasil está como uma empresa nestas condições, e portanto deve parar para se reorganizar, ou seja, como já dizia em 1991 o contador Antonio C. Nasi, Fechar para balanço. Nossos dirigentes estão desorientados sobre os caminhos a seguir nesta empresa de mais de 160 milhões de acionistas (habitantes).
O pior é que o problema não é só do Brasil S/A, mas das suas subsidiárias (os Estados e os municípios) que não têm controle sobre os rombos e desmandos praticados debaixo de seu nariz e, infelizmente, muitas vezes com a conivência e até participação de autoridades.
Foi feita um assembléia geral para definir os estatutos (Constituição) dessa enorme empresa Brasil S/A e foram criados tantos direitos e benefícios que agora não têm como serem cumpridos, pois não há dinheiro para pagar. A desordem das instituições extrapolou os limites das casas próprias dos debates e foi para as páginas dos jornais populares, praticamente misturados com notícias policiais.
A grande ilusão com a vinda de grandes indústrias para o País acaba gerando deslocamento de desempregados na esperança de conseguir emprego em outras plagas. No entanto, quando lá chegam eles ficam sabendo que somente será aproveitada meia dúzia de brasileiros e assim mesmo se devidamente preparados para o exercício da função. Só para exemplificar: uma das montadoras que vieram para o Paraná está exigindo formação mínima de 2º grau até para faxineiros e seguranças.
Está faltando o gerenciamento desta grave situação. FHC e seus ministros não se entendem. Alguns ministros chegam a contestar nomeações do chefe. Os presidentes das duas maiores casas de legisladores batem boca. É preciso que os representantes do povo brasileiro, mas especificamente o Congresso, trabalhem para colocar a casa em ordem.
Lamentavelmente, parece que a convocação de uma assembléia geral é a única solução, ou seja: devemos fechar para balanço, traçar metas e só então reabrir as negociações. Repetindo o que disse Nasi, também em 1991: Estamos prestes a perder mais um década se as soluções não começarem a ser buscadas imediatamente. Criem juízo, senhores governantes desta imensa empresa. Aguardamos ansiosamente, queremos participar, porém a iniciativa tem que vir de cima.
- LUIZ FANCHIN JUNIOR é economista e contabilista em Curitiba





