Já pensou ficar dois anos ou mais desempregado? Pois é isso que pelo menos 3,3 milhões de brasileiros enfrentam, conforme pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O número de desempregados de longo prazo é 42,4% superior ao do mesmo período de 2015, primeiro ano da recente recessão da economia brasileira. São números extremamente preocupantes, já que o desemprego influencia em outros segmentos, como consumo, segurança e saúde, para ficarmos em apenas três.

Não bastasse a crise econômica que insiste em não passar, vieram a paralisação de investimentos e as mudanças na economia sob a alegação de espera do resultado da reforma da Previdência, que tramita no Congresso. Enquanto a queda de braço política se dá em Brasília, o restante do País assiste a tudo, sofrendo as consequências dessa paralisação.

Há gente com grande bagagem profissional e de currículo recheado nesta bacia do desemprego, mas a grande parte dos ocupantes dessa lista de 3,3 milhões de brasileiros são os trabalhadores menos escolarizados e as famílias de menor renda. Embora tenha havido uma melhora bem tímida nos últimos meses, ainda há muita dificuldade na geração de postos de trabalho.

Os pesquisadores mostram ainda que o número de desempregados que procuram trabalho há pelo menos dois anos cresce mais rápido entre os jovens, o que acaba sobrecarregando ainda mais outros membros da família que sustentam a casa. Aliás, segundo a mesma pesquisa, 22,7% das famílias brasileiras não têm nenhuma renda proveniente do trabalho em casa.

A avaliação do Ipea é de que a recuperação do mercado de trabalho vem ocorrendo de forma gradual e só poderá atingir patamares mais expressivos no ano que vem, o que está condicionado à velocidade de tramitação e à aprovação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

“Destravar” o País é uma necessidade urgente para que a economia volte a girar e, com ela, esses números indignantes do desemprego possam ser diminuídos.

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