A desenfreada farra pública continua
Dos titulares da Justiça espera-se bons exemplos, até porque são eles que julgam os desmandos dos demais Poderes. Mas também nesse círculo ocorrem as ganâncias desmedidas, como a aprovação que agora ocorre do aumento salarial dos promotores estaduais, para R$ 24.500. A auto-concessão é do Conselho Nacional do Ministério Público, que se espelhou nos ganhos dos colegas procuradores de Justiça. Além do elevado salário, num país onde vicejam as misérias sociais e o salário mínimo é de apenas R$ 350, a Procuradoria Geral da República alega que esse aumento é inconstitucional. Quando se levanta um argumento de inconstitucionalidade em ato do próprio Ministério Público, então as coisas vão realmente mal. No estado de direito - como declara o titular da Procuradoria - ''um Poder controla o outro, e com isso os problemas são corrigidos''. Mas no Brasil, o que se tem observado é que os Poderes mais se autoprotegem do que se corrigem. No caso dos promotores públicos, são 2.857 os beneficiados. Diante dessas coisas os cidadãos ficam perplexos e com a dolorida sensação de impotência. O temor é que a medida afete o equilíbrio das contas públicas, pelas elevações salariais em cascata para diversas categorias do serviço público. Todos os dias os cidadãos - que na continuidade irão sentir na própria carne essa sangria, pois são eles que pagam a conta - são surpreendidos com abusos e mais abusos. Leu-se agora que há um forte lobby na Câmara Federal para aprovação de emenda constitucional recriando 8.436 vagas de vereadores, depois que o Tribunal Superior Eleitoral diminuiu o número deles, em 2004. E ontem, pequena nota deste Jornal revelou que o 1º e o 4º secretários da Câmara Federal - os deputados Inocêncio Oliveira e João Caldas - gastam só em selos a média de R$ 30 mil mensais. Estas são apenas amostragens da gastança sem freios e sem juízo no âmbito dos poderes públicos. E outra notícia também de ontem é que o presidente Lula quer fazer uma grande festa na sua segunda posse, dia 1º de janeiro. Ele está convidando, com tudo pago pelo dinheiro do povo, gente beneficiada por suas políticas assistencialistas. Tudo já está sendo organizado pelo cerimonial do Palácio do Planalto, com apoio do PT, da CUT e do MST, que são organizações agregadas ao Governo. ''A posse será uma festa forte politicamente e refletirá a riqueza cultural brasileira'' - declara o assessor especial da Presidência, Cezar Alvarez. Nem o PT e nem o Governo informaram quanto irão gastar nesse evento, que mesmo com alguns cortes, não deverá sair barato. E é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem tem declarado - ante as críticas que recebe - que não há onde cortar gastos!





