A saída de um segundo ministro popular em tão pouco tempo caiu como uma bomba no mercado econômico brasileiro na última sexta-feira (24). A expectativa nesta segunda-feira (27) é como a Bolsa vai reabrir a semana diante das indefinições e suspeitas em torno dos nomes cotados para substituir o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. No dia 16 de abril, o médico Luiz Henrique Mandetta foi demitido da pasta da Saúde.

A baixa de dois nomes importantes em meio a uma pandemia faz aumentar as incertezas dos investidores pois sinaliza que um conflito político pode agravar a crise econômica imposta pelo novo coronavírus. E os rumores de que Paulo Guedes também estaria insatisfeito aumentam ainda mais a desconfiança.

Na última sexta-feira (24), o real teve a maior desvalorização semanal desde 2008, quando o dólar subiu 13% na primeira semana de outubro, durante a crise financeira. Especialistas disseram que o colapso do contrato futuro do petróleo americano também interferiu.

A semana chegou ao fim com a moeda brasileira perdendo 8% do seu valor ante o dólar, que fechou a R$ 5,6510, R$ 0,42 mais caro que na semana passada. Nesta sessão, o dólar subiu 2,589% e foi ao seu terceiro recorde nominal seguido.

No ano, a alta é de 41%, a maior desde 2015, quando a divisa dos Estados Unidos se valorizou 49% ante o real que dentre todos as moedas do mundo, é a que mais perde valor em 2020.

Durante o pregão da última sexta, o dólar chegou ao recorde de R$ 5,7450, após o pronunciamento de Moro sobre sua demissão. A moeda desacelerou a alta com intervenções do Banco Central. Já a Bolsa brasileira chegou a cair 9,6% logo após Moro encerrar seu pronunciamento.

O Brasil precisa arrumar a casa com urgência. Nessa crise sem precedentes na saúde pública, o presidente tem que mostrar governabilidade. A saída de Moro, um dos principais pilares do governo Bolsonaro, pesou muito, principalmente levantando a suspeita de que o presidente quer interferir politicamente na Polícia Federal, supostamente em benefício dos filhos.

A perda de confiança do brasileiro é um problema sério, principalmente quando batem à porta do Congresso vários pedidos de impeachment chegando de todos os lados contra ele.

A semana que começa é determinante no sentido de mostrar quanto o presidente perdeu de apoio na Opinião Pública.

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