A desastrosa dependência de um único meio de transporte
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quarta-feira, 24 de abril de 2019
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O fantasma da greve dos caminhoneiros fez com que muitos brasileiros se lembrassem dos dias infernais da última paralisação da categoria, que começou no final de maio do ano passado e engessou o País por 10 dias. Nesta segunda-feira (22), o encontro de representantes da categoria com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, teve momentos de tensão, com reclamações, ameaças e até choro. Os representantes cobraram do ministro a aplicação do piso mínimo do frete e uma solução para os constantes aumentos do diesel. No encontro, eles receberam resposta de Freitas de que a variação do combustível não será mais problema quando os reajustes forem repassados de forma imediata para o piso – promessa que o governo sinaliza para baixo.
Na semana passada, líderes dos caminhoneiros autônomos, insatisfeitos com o pacote anunciado pelo governo e com o aumento de 10 centavos no litro do diesel, agendaram uma paralisação para o dia 29 de abril. O presidente Jair Bolsonaro está confiante de que não haverá greve dos caminhoneiros e acredita que a aproximação que vem fazendo com algumas lideranças será importante para construir uma agenda de negociação e afastar o susto de mais uma paralisação.
Mas o que preocupa é que a última greve mostrou que não há muitas divisões nessa categoria. Tanto que semanas atrás já houve um racha. Uma parte acredita que a única forma de o governo ouvir suas queixas é fazendo uma nova paralisação, que ficou pré-agendada para 29 de abril. Do outro lado, estão aqueles que preferem dar mais um tempo e continuar negociando com o governo melhorias para os motoristas de caminhão.
Uma greve dos caminhoneiros agora causaria consequências bastante negativas para o início do governo Jair Bolsonaro e, claro, seria horrível para a recuperação econômica do Brasil. Aqueles 10 dias de 2018 paralisaram os serviços como fornecimento de combustível, distribuição de alimentos e insumos hospitalares. Um colapso que gerou revolta, indignação, prejuízo e provocou debates sobre as desventuras de um País dependente de um único meio de transporte, o rodoviário. Agora, frente a uma nova ameaça, percebe-se que é preciso sair do discurso e partir para a criação de um plano de investimento em outros modais de transporte de carga que impeçam um apagão logístico.


