Inconcebível que, depois de um mês do início do ano escolar, muitas crianças e adolescentes, em Londrina, não podem ir às aulas por falta de vagas. Se o caso persistir será preciso que o Ministério Público intervenha, face ao atraso natural que o aluno sofre e pelo risco de, ocioso, sair às ruas e enveredar para a delinquência. Com o aumento populacional, a demanda por vaga escolar aumenta e esse acompanhamento não pode ser negligenciado. Nesse contexto, também falta lugar nas escolas próximas da residência do estudante. Se existe a obrigatoriedade legal de as famílias matricularem suas crianças, no presente caso são os pais que reclamam do poder público por não atender à parte que lhe cabe.
A questão tem também outras facetas, e estas são igualmente da esfera das autoridades do ensino. Como os alunos multirrepetentes, os que foram reprovados por faltas e os considerados problemáticos. Algumas escolas rejeitam estes últimos, mas se o problema não é de fácil solução, é preciso recorrer a todos os recursos para chegar-se a boas conclusões. Abandonar tais alunos difíceis será contribuir para que venham, eventualmente, a converter-se em marginais, com as consequências que se conhece e cujo custo social resulta muito mais alto. O que não se corrige agora será mais difícil depois. Falando a este Jornal, mães reclamaram que não foram avisadas quando os filhos não compareceram às aulas. Há 68 mil vagas em Londrina e, em contraposição às denúncias da falta de vagas, o Núcleo Regional de Educação afirma que só 60,5 mil foram preenchidas, e cita que pelo menos três escolas da zona norte possuem vagas. Há pais que inscrevem os filhos em várias escolas, e muitos deles, ante a informação da falta de vaga, vão embora e não retornam, não se sabendo se encontraram outro lugar. Isto contribui para a imprecisão de dados.
Certo é que há crianças fora das salas de aulas, embora o empenho dos pais. E trinta dias já se passaram, com prejuízo para os que podem perder o ano ou, no mínimo, ter de recuperar o aprendizado perdido. O poder público não pode permitir-se essa situação. É preciso que a questão seja solucionada previamente no âmbito dos núcleos de ensino, sem esperar-se que venha à tona pela queixa de pais ou por via dos veículos de comunicação.

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