A educação não é um objeto do qual podemos todos estar diante dele e, observando-o, investigá-lo como a estática pedra da Roseta ou um intempestivo drone. Antes, advertiu Chesterton, é uma palavra como "transmissão" ou "herança"; não é um objeto, mas um método. E um método é a marcha racional da inteligência que estabelece ordenadamente um conjunto de meios, regras e preceitos num sistema, para chegar a um fim desejado, seja a apreensão ou a transmissão de conhecimento ou a demonstração de uma verdade. É um meio para um fim.

Os contrários ao Programa Escola sem Partido devem ter em mente isto antes de abrir a boca. Deve-se discutir as regras e os preceitos. O PLS 193/2016 diz respeito às regras em sala a fim de estabelecer equidade, jamais imparcialidade, na apresentação de conteúdo sem censura e distorções. Isso, contudo, é exatamente o que não entendem, seja por dolo ou analfabetismo funcional. De Karnal, cuja afetada opinião alastrou-se nas redes sociais, a um jovem que publicou neste mesmo espaço, ninguém parece entender de fato o programa. Tanto o último como o primeiro têm problemas com a palavra "conservador", como se ela, na Roma antiga, significasse algo como os bárbaros de antão.

O programa apenas prevê a fixação de um cartaz em cada sala de aula contendo deveres, como o não aproveitamento da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências individuais; e o não constrangimento dos alunos em razão de suas convicções ou da falta delas. Além destes dois óbvios deveres, há mais quatro que podem ser lidos no Programa, que também estabelece um canal anônimo dos pais e alunos com as secretarias de Educação para efetivar o programa. A professora Paula Rosiska, contudo, num recente artigo, advertiu que o tiro poderá sair pela culatra. Por quê? Em função do caráter anônimo das possíveis denúncias, os alunos, quando querendo vingar-se ou intimidar um docente, poderão fazer mau uso dessa ferramenta, criando ainda mais problemas e deixando, assim, os professores à mercê de denunciantes anônimos. Este ponto particular do Programa carece de esclarecimento para conter o gargalo.

Temos de tornar o método pluralista e não monopolizar o discurso. O que se condena do Programa é justamente o que ele não propõe. Trata-se de restaurar a beleza da contraposição de ideias no livre debate e não de apresentar Marx como Messias.
Escrevo sobre minha própria biografia que reafirma a necessidade do programa. Passei por muitas instituições de prestígio nacional e, em nenhuma delas, tive acesso a autores como Voegelin, Mises, Hayek, Lavelle, Lonergan, Scruton, Sowell e Russell Kirk. Nem fez-se menção do brilhante filósofo brasileiro, Mario Ferreira dos Santos, quem descobri graças ao notável professor Olavo de Carvalho.

La Rochefoucauld lavrou que "um homem é como um coelho, apanhamo-lo pelas orelhas". Nisto consiste o método comum da educação brasileira: repetir mecanicamente temas e sugestões progressistas, diminuindo, segundo o psiquiatra holandês Joost Merloo, a dissensão e a oposição de ideias. Mas esta é a técnica de controle mental de Pavlov, o gênio russo do mal, e não um método educacional.


Se queremos nossas crianças de volta, se ansiamos por reaver as boas mentes brasileiras de outrora, Bandeira, Drummond, Villa Lobos, Gustavo Corção, Graciliano Ramos; se o ensino doméstico nos é obstaculado, se a alta cultura brasileira putrefou; se vencemos as guerrilhas e fomos, porém, desde os anos 1960, tomados pela aculturação esquerdista; e se, por fim, findamos com Lulas, Dilmas, Jabores, Boffs, Ghiraldellis e Coelhos, passou da hora de retomarmos o método educacional e apresentarmos a justa visão dos fatos. Que o melhor vença.

BERNARDO PIRES KÜSTER é professor, tradutor, ensaísta e palestrante nas áreas de bioética, política, diálogo interreligioso e apologética cristã em Londrina

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