A democracia, a imprensa livre e um marco na história de Londrina
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quarta-feira, 28 de novembro de 2018
A sagacidade do grande líder britânico Winston Churchill (1874-1965) esculpiu a frase que simbolizou o ideário de combate ao nazismo: "A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras formas que foram tentadas de tempos em tempos".
O escritor Augusto de Franco, no seu livro Alfabetização Democrática, aborda que a democracia em seu estágio primário é principalmente voto e rotatividade do poder, contudo, em um sentido mais profundo, é o exercício do entendimento, é reconhecer que a diversidade e a complexidade são as maiores riquezas da saga humana.
Os regimes democráticos plenos protegem o seguinte pressuposto civilizatório: se o outro tem uma opinião diferente da minha, ainda assim poderemos conviver pacificamente no mesmo espaço e no mesmo tempo. Ser divergente não é igual ser inimigo.
São em espaços como este, na imprensa livre, que o tráfego de ideias se torna acessível aos comuns e onde a democracia passa pelo doloroso processo do amadurecimento. A melhor maneira de entender a realidade é ter acesso a todos os pontos de vista sobre os acontecimentos. São os registros diários da marcha da História que ajudam a forjar a politização e o discernimento.
O famoso publisher do Grupo Abril, Roberto Civita, difundiu com clareza a relação entre a imprensa, a livre iniciativa e a saúde das democracias. Dizia ele: "Sem livre iniciativa, não há concorrência; sem concorrência, não há publicidade; sem publicidade, não há imprensa livre; sem imprensa livre, não há democracia. Acrescentaria ainda que, sem democracia, não há desenvolvimento socioeconômico em bases sólidas.
Por isso, a combinação de longevidade, engajamento e prestígio confere a um jornal a certificação de que os valores democráticos estão a prevalecer.
Muita coisa mudou desde 1948. Todas as edições destes 70 anos de Folha de Londrina formam um autêntico inventário dos homens e das mulheres que alimentaram os motores de uma grande transformação.
Hoje, a Folha é um costume, um ícone, um exemplo da nossa singularidade de interioranos inquietos. Tão habituados que estamos em ver nosso cotidiano retratado neste grande veículo de comunicação, que já não conseguimos imaginar a cidade, a região e o Estado sem este espelho no qual conferimos os traços da nossa identidade. As milhares de páginas impressas e distribuídas forjam nossa razão e nosso sentimento.
A Acil tem muito orgulho de figurar no noticiário desde as primeiras edições, seja nos momentos festivos ou nos mais críticos. A lisura que marca as relações destas duas forças tão londrinenses gerou a confiança e a lealdade que regem uma permanente parceria.
Já estivemos juntos em tantas oportunidades que temeríamos encarar qualquer desafio sem que o outro estivesse ao lado.
Como entidade líder do setor empresarial, a Acil gostaria de aproveitar esta efeméride tão festejada para exaltar também a excelência na gestão do Grupo Folha de Comunicação, personificada nos queridos amigos Alessandra Andrade Vieira e José Nicolás Mejia.
A empresa por trás do jornal nunca se escondeu atrás do enorme prestígio e sempre escolheu a prazerosa dificuldade de fazer primeiro e melhor em detrimento da acomodação e do marasmo. É uma postura que nos inspira.
Seja na poeira ou lama vermelha dos primeiros tempos em que se dizia que a Folha era um milagre que acontecia todos os dias, seja nesta era tecnológica na qual nosso grande jornal abraça a impactante transmídia e nos encanta por meio de todos os nossos recursos sensoriais, a Folha segue sendo nossa consciência crítica, aquela que ajuda a nos posicionar, a nos aprimorar e a nos transformar para preservar nossa essência.
Que venham mais 70 anos! Obrigado, Folha!
Claudio Tedeschi é presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina)
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