É um delicado problema este que envolve, por um lado, a sobrevivência de milhares de sacoleiros dependentes do comércio de mercadorias trazidas do Paraguai, e por outro a necessidade de impedir a entrada, pela mesma via, de armas e munições contrabandeadas e das drogas. Comerciantes, perueiros e mototaxistas paraguaios continuam bloqueando a Ponte da Amizade, como protesto pela queda de movimento em razão da operação da Receita Federal brasileira para coibir a entrada daqueles três itens. Por conta dessa necessária diligência das autoridades brasileiras que deve ser rigorosa e contínua a atividade dos sacoleiros é prejudicada e os comerciantes e prestadores de serviços da vizinha cidade paraguaia sofrem grande abalo em seus negócios, e agora resolveram bloquear a ponte que une os dois países, como reação. A Cidade do Leste sobrevive graças à presença dos sacoleiros do Brasil, e estes têm nessa atividade o seu ganho de vida, um negócio que envolve milhões e garante empregos, além de dinamizar segmentos diversos da economia em território brasileiro. Problemas econômicos naquela comunidade paraguaia têm reflexos sobre o Brasil, pela estreita conexão com Foz Iguaçu e tratando-se de um núcleo populacional mais brasileiro que paraguaio quanto à sua dependência. As duas cidades formam uma só, geminada, e uma crise econômica que eventualmente ocorra na parte vizinha pesará muito mais sobre o Brasil que sobre o Paraguai. Será necessário encontrar uma fórmula inteligente de levar adiante a operação contra a entrada das armas e munições contrabandeadas que certamente irão servir à causa da criminalidade no Brasil e das drogas, e ao mesmo tempo não quebrar a atividade exercida pelos sacoleiros. Na verdade um comércio informal, irregular pela sua característica e prejudicial ao comércio estabelecido, no Brasil, que opera com os mesmos gêneros, incluindo-se também a indústria brasileira de idênticos itens. Ademais, segmentos recolhedores de impostos. Porém, num momento de tanto desemprego e de necessidades sociais no Brasil, e considerando-se ainda o baixo volume de carga individual desses operadores de ''comércio exterior'' embora em número eles sejam muitos há que conviver com eles. O superávit na balança da exportação brasileira pode suportar esse leve contrapeso. Ambos os casos o da repressão à entrada daqueles três perigosos itens, e a causa social representada pelos sacoleiros são questões de governo e devem ser tratadas com delicadeza, pela sua relevância. A operação da Receita Federal, com o auxílio das polícias federal, militar e civil, não pode cessar e nem ser negligenciada, por envolver não só a quebra de arrecadação mas também a segurança das cidades contra a violência, pela entrada das armas, munições e drogas. Mas será preciso cautela diante da delicada questão social dos sacoleiros, porque o eventual desemprego de tantos deles terá um custo social muito mais elevado que o prejuízo que eles causam à Receita com o seu negócio de formiguinhas.

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