As obras de caridade realizadas por pessoas e grupos voluntários são muitas, e a de Padre Sasaki, em São Jerônimo da Serra, é uma delas. Focalizada em reportagem de ontem de Wilhan Santin, deste Jornal, a história benemerente de Sasaki enriquece ainda mais a vasta listagem de benefícios que os imigrantes japoneses trouxeram para o Brasil – e, de resto louve-se também o que fizeram por este país todos os de fora que aqui chegaram trazendo experiências mais antigas e que se associaram às maneiras dos nativos e dos descendentes quinhentistas do pós-Descobrimento.
Quem vem acompanhando o trabalho da Sociedade Filantrópica Humanitas, criada por Sasaki na pequena São Jerônimo (distante 90 quilômetros de Londrina) sabe da dedicação desse sacerdote à causa dos portadores de hanseníase (o mal da lepra). Ali, pacientes procurados e descobertos na região por esse abnegado homem encontraram abrigo, amenização do sofrimento e cura.
Ressalte-se igualmente o trabalho de médicos e de todos os serviçais desse hospital e de quantos vieram e continuam colaborando com a instituição, que opera gratuitamente. Faz mais de 50 anos que esse padre japonês de Hamamatsu veio voluntáriamente ao Brasil e dedica-se a obras sociais que ultrapassam a missão sacerdotal. Ele e seus colaboradores salvaram uma infinidade de marginalizados pela hanseníase, porque – como diz uma placa no corredor dessa casa de ajuda – ‘‘para curar é só tratar’’. Mas algo de mais relevante deveria ser acrescentado: que ‘‘é preciso amor para dar e por esse impulso socorrer’’. Padre Sasaki sempre teve esse atributo. Tudo começou quando o primeiro bispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes, solicitou ao Vaticano que incentivasse a vinda de padres japoneses ao Brasil. Esse apelo ecoou na diocese de Yokohama, onde Sasaki se encontrava. Operando primeiro em Londrina e depois em Cornélio Procópio, o destino para a missão o levaria a São Jerônimo, e ao encontrar ali um homem abandonado com lepra, desencadeou sua obra. Porque a seguir encontrou outros 120 pacientes iguais. Hoje a Sociedade Humanitas é referência em tratamento de hanseníase e outros casos de dermatologia, e chegam-lhe ajudas de muitas partes, incluindo o Japão. A necessidade de auxílio é constante.
Sasaki, mais tarde, traria daquele país um médico especialista e freiras de uma congregação de Nagasaki, para ajudá-lo. Assim o serviço de atendimento ganhou mais impulso. Hoje com 79 anos, torcedor de futebol e ex-jogador, apreciador de cerveja e de orquídeas, Sasaki é mais que isso: é um benemérito.

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