A decepção das provas do Enem
De Ivaiporã, o leitor deste jornal, Paulo Sérgio Carnicelli, estudante de Agronegócio, manda o recado:
Centenas de jovens acordaram ontem indignados com a notícia de que houve fraude nas provas do novo Enem, havendo cancelamento das mesmas. Se nem eu, nem você, leitor, teve acesso a quaisquer provas, quem teria? - pergunta o jovem. E continua: Imagine quantas provas supostamente foram fraudadas em anos anteriores? Se o Ministério da Educação queria mudar a imagem do exame, conseguiu.
Paulo Sérgio Carnicelli expressa na sua carta, o inconformismo de estudantes e professores, diante de mais esse descuido.
O anúncio do adiamento das provas, que seriam aplicadas amanhã e domingo, caiu como um balde de água fria, informa o repórter Diogo Cavazotti, depois de sentir a frustração dos interessados.
Se dependesse da fiscalização do Governo todos seriam vítimas (mesmo sem saber) do vazamento de informações. Afinal, o exame só foi cancelado porque o jornal O Estado de S.Paulo alertou o Ministério da Educação (MEC) para o vazamento das provas já impressas.
Ainda bem que os técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep) comprovaram que havia mesmo quebra de sigilo. Pelo menos isso. Normalmente o governo nega as irregularidades e se irrita com denúncias ou críticas. É autoritário, inclusive.
A Polícia Federal abriu investigação para saber quem são os responsáveis pelo vazamento das provas e onde foi que, ao longo de todo o processo de confecção das perguntas do exame, de produção gráfica, impressão e logística de distribuição, aconteceu a violação do sigilo.
Como sempre, depois que o ladrão faz a festa, alguém fecha as portas. Assim, o Inep pretende que a nova versão da prova deverá ser envolvida por um sistema de segurança mais rígido do que a prova cancelada.





