A crise que atinge a todos
José Lima do Nascimento
Quanto mais se fala em crise, mais temos a impressão de que estamos num beco sem saída. A situação é realmente preocupante. As tarifas públicas foram reajustadas bem acima dos salários. O aumento da energia elétrica aparece não só na nossa conta de casa, mas repassada aos preços dos produtos. Você já percebeu que tudo está mais caro?
Luz, água, telefone, gás de cozinha, combustíveis, alimentos, tudo o que aumenta, de um jeito ou de outro, acaba sobrando para o trabalhador. Daí, ninguém entende, ou finge não entender, por que as vendas caem, a economia fica parada. Com o custo de vida cada vez mais alto, quem tem dinheiro sobrando para fazer compras? Claro, dá para comprar a prazo. Mas até isso está difícil, pois os juros estão abusivos. Dívidas em cartões viram bolas de neve se, por qualquer imprevisto, a pessoa atrasar um mês ou pagar apenas o mínimo. Quantas e quantas pessoas estão no cadastro de inadimplentes por conta dessa política econômica injusta, que beneficia o sistema financeiro e prejudica o cidadão?
A economia encolheu e isso é fato. Não só em Londrina, no Paraná, mas em todo o Brasil. Todos os comparativos mostram os gráficos em queda livre. E quando diminui o consumo, a primeira categoria a sentir os efeitos da recessão é a dos empregados no comércio. Em 2015, mês a mês, o setor vem perdendo vagas. E não é por causa de horário de atendimento, como mais uma vez começaram a polemizar na cidade. Quem é do comércio sabe: não é por não conseguir ir à loja que a pessoa deixa de comprar. O que falta é dinheiro. Se o problema fosse tempo, o comércio fervia nas tardes de sábado. É permitido abrir e funcionar até as 18 horas, mas vá ao centro da cidade e veja quantas lojas abrem. E por quê? Porque o trabalhador não tem dinheiro, não tem crédito ou está comprando somente o necessário. O lojista, aquele que é daqui e conhece nossa realidade, já fez as contas do que fatura e do que custa manter aberto e prefere fechar.
Em 2011, quando a crise era vista apenas como uma "marolinha", Londrina discutiu exaustivamente alterações no Código de Posturas. A Câmara decidiu mudar algumas regras, mas rejeitou a possibilidade de flexibilizar os horários de atendimento no comércio de rua. É uma discussão encerrada que agora querem ressuscitar. A cidade de Londrina foi chamada de "colônia" e "vergonha nacional" por lideranças locais contrariadas sobre o fechamento do comércio no último dia 12 de junho. Comerciários foram acusados de inflexíveis, como se nós tivéssemos criado tal feriado. Entretanto, indústrias, bancos, órgãos públicos, consultórios médicos também fecharam, mas o absurdo foi o comércio fechar no feriado municipal, Dia do Sagrado Coração de Jesus - padroeiro da cidade.
Em tempos de crise, o trabalho sindical fica ainda mais difícil. Os valores se invertem. Patrões oferecem índices abaixo da inflação. Não aceitam conceder aumento real, "afinal, o país está em crise". Penalizar o trabalho é dar um tiro no pé. Trabalhadores e empresas são vítimas da crise, precisam caminhar lado a lado. Ganho real é bom para os dois lados, pois o dinheiro extra volta para o comércio. Renda gera renda.
Enquanto patrões e empregados se digladiam em diversas categorias profissionais, quem causou toda essa situação permanece governando como se tudo estivesse na calmaria. O governo restringiu o acesso a direitos trabalhistas, aumentou impostos, onerou o setor produtivo. Já vimos diversas crises, mas esta realmente preocupa. Porque ela atinge a todos. É o resultado de políticas eleitoreiras de abafar o problema, que já existe há anos, até a eleição passar. Por que será que a energia elétrica não subiu no ano passado, em vez de aumentar duas vezes em 2015? Por que o IPVA não foi reajustado já no ano passado? Será que isso teria alguma interferência no resultado das urnas? Possivelmente, sim.
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