A crise econômica afeta a vida sexual?
A crise econômica que o País vem enfrentando deixa as pessoas em permanente estado de alerta, o que provoca grandes desgastes físicos e emocionais. O medo de não conseguir pagar as contas no final do mês, o temor de perder o emprego, numa época em que as demissões têm sido constantes, e até a frustração de não poder manter o mesmo estilo de vida acabam provocando ansiedade permanente.
Esse desequilíbrio emocional gera infinitos males. As pessoas passam a comer mais, beber mais, fumar mais. E, o pior, a fazer menos sexo. Por causa da falta de energia, gerada pela infinidade de excessos, ficam também mais sedentárias. O resultado é um organismo vulnerável a doenças digestivas e cardiovasculares.
Gastrite, úlcera, angústia, dor no peito e hipertensão são frequentes nos consultórios médicos. Queixas que antes só eram relatadas por idosos, hoje são comuns em indivíduos com menos de 40 anos. Esse quadro mostra como as pessoas estão se esgotando emocionalmente por causa da crise.
Uma forma de diminuir o sofrimento é agir com mais naturalidade, tentando expressar as emoções. As mulheres são experts nisso. Não se torturam - tanto quanto os homens - com seus conflitos. Desabafam, choram, recorrem à terapia. Abertas, colocam mais afetividade em seus relacionamentos. Eles, ao contrário, se fecham e se isolam. Por não conseguirem exteriorizar os seus fantasmas, fragilizam-se física e psicologicamente. Alguns chegam a experimentar falhas de ereção na hora h ou descontrole ejaculatório, tornando a vida sexual um campo de frustração.
O homem nessas circunstâncias deve se manter tranquilo quando for fazer sexo. Em vez de ir direto ao assunto, é melhor criar um clima descontraído, com muita conversa e bom humor. Esse jogo erótico, conhecido e comum dos tempos de namoro, irá facilitar a performance. Em alguns casos, quando a ereção estiver mais comprometida, pode valer a pena adiar a relação sexual em prol de momentos de sensualidade. O importante é que a mente esteja livre de pensamentos relativos ao trabalho e a outras questões profissionais e financeiras.
Não adianta também se exceder no álcool. Em altas doses, ele é um depressor do sistema nervoso central e complicador da sensibilidade erótica. Tanto que o homem pode perder a ereção e a mulher não chegar ao orgasmo.
Mas não basta apenas evitar bebidas alcoólicas: é preciso comer de forma saudável e equilibrada, sintonizar-se com o lado positivo das coisas e praticar exercícios. Entender que o interesse da parceira nessas ocasiões, também estressada, está muitas vezes mais ligada numa troca afetiva, quando uma boa conversa e carinho podem reavivar o desejo e acalmar a ansiedade.
E assim a crise não afeta muito o sexo.
Dr. Moacir Costa é médico psicoterapeuta. Autor do livro A pílula do prazer á Editora Gente.
- - - - - - - - - - - - - - - - Serviço: Caso tenha dúvidas sobre sexo, ligue para: 0800.770.6543 (gratuitamente), de 2ª à 6ª, das 8h às 14h. O atendimento é realizado por médicos ou psicólogos.





