A crise chega aos Estados Unidos
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quarta-feira, 24 de julho de 2002
Valmor Bolan 
Quase um ano depois dos terríveis atentados contra o World Trade Center (em Nova York) e o Pentágono (em Washington), os Estados Unidos parecem ter entrado numa era de ''inferno astral'' que não promete acabar logo. O presidente Bush vai perdendo, dia a dia, o apoio dos norte-americanos, principalmente com a sucessão de escândalos em torno de megaempresas, com denúncias de envolvimento do próprio vice-presidente Dick Cheney.
Bush vai perdendo moral e intui que o marketing, por si só, não será suficiente para fazê-lo ganhar o respeito não só da sociedade norte-americana, como do mundo.
''A publicação diária de detalhes sobre a vida passada de Bush e do vice-presidente Dick Cheney no mundo empresarial parece fadada a alimentar dúvidas sobre a credibilidade do governo para restaurar a confiança'' (Paulo Sotero, O Estado de São Paulo, 17/07/02). Tudo isso tem intranquilizado o mercado internacional, com turbulências e apreensões cada vez maiores.
As denúncias que pesam contra Cheney e Bush são graves. Em outros países ''democráticos'', por muito menos, já teriam aberto um processo de impeachment. O fato é que, Bush já não consegue mais convencer, e a oposição ao seu governo aumenta, até com certa rapidez. Neste caso, não se trata apenas de acusações de cunho pessoal (como as que afetaram Bill Clinton), mas mexe com a idoneidade e a capacidade administrativa do mais ''poderoso'' governante do planeta. E nisso os norte-americanos são bastante criteriosos. O grau de envolvimento de Bill Clinton e Mônica Lewinski era problema dos dois. O que importa é que Clinton assegurou a pujança econômica e ponto final.
Agora, com Bush já é um pouco diferente. Sua luta contra o terrorismo não tem trazido resultados concretos. A onda de violência cresce por toda a parte, o Oriente Médio continua em polvorosa, os atentados multiplicam-se e Bin Laden continua vivo (segundo dizem!).
A crise é tão grave que o presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos), Alan Greenspan, veio a público tentar acalmar o mercado. Mas não conseguiu impedir uma nova desvalorização do dólar. Para Greenspan, os Estados Unidos estão pagando, hoje, a ''ganância infecciosa'' dos anos 90.
Explicou que ''na raiz dos problemas houve uma rápida ampliação da capitalização dos mercados acionários no final da década de 90, o que engendrou um aumento desproporcional das oportunidades para usuras. Uma infecção gananciosa parece ter tomado conta de nossa comunidade empresarial. Nossos guardiões históricos das informações financeiras sumiram''.
Muitos críticos da face perversa da globalização dizem que a crise que minará o lado sombrio do capitalismo, virá do epicentro do sistema, isto é, dos Estados Unidos. O problema é que, hoje, nada mais é isolado, e uma crise profunda nos EUA poderá refletir - e muito - em todos os demais países do planeta.
Resta saber quem está se preparando para superar o que pode vir por aí e oferecer novas alternativas. Um modelo social mais humanizador. A China? O Brasil? Só a História dirá.
VALMOR BOLAN é doutor em sociologia e diretor geral da Faculdade Editora Nacional (FAENAC), em São Caetano do Sul (SP)
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