A corrupção dentro do próprio Ibama
Será muito difícil preservar os recursos naturais se a corrupção impera dentro do próprio Ibama, a conhecida sigla de Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. A prisão dos 24 fiscais do órgão, por favorecimentos ilícitos, é o fato menos relevante (uma consequência), porque o grave é a existência desses delinquentes nos quadros do organismo encarregado da fiscalização. Essa equipe atuava na região litorânea do Estado do Rio, e, mediante a venda de pareceres técnicos, favorecia empreendimentos imobiliários em áreas de preservação ambiental. Esses ditos fiscalizadores atuavam nos municípios onde é grande a especulação imobiliária para construção de hotéis e condomínios. Trata-se da região dos lagos do litoral sul, onde estão Angra, Cabo Frio e Niterói, mais a Baixada Fluminense, onde há extensas áreas verdes. As propinas iam de R$ 6 mil por um parecer favorável, até R$ 200 mil, ou como foi um dos casos um apartamento nos edifícios ilegalmente aprovados. Além disso, esses funcionários corruptos (e corrompidos, pela proposta dos empreendedores, alguns dos quais também presos) favoreciam igualmente a pesca de peixes e crustáceos no período da reprodução. Tudo em troca de dinheiro, o que fazia do Ibama, nessa jurisdição, um antro de corrupção, já que envolvendo 1/3 dos 87 fiscais existentes. Os crimes tipificam corrupção ativa (caso dos empresários) e corrupção passiva (caso dos servidores), violação de sigilo funcional e formação de quadrilha. A ministra Marina Silva que foi ao Rio com o presidente do Ibama para contato com os policiais-federais que comandaram a operação determinou que todos os indiciados sejam afastados das funções, além da sujeição às penas da lei. Mas enquanto essa operação acontece, ações devastadoras do meio ambiente continuam ocorrendo ao longo da mesma região da Mata Atlântica, em inumeráveis outros pontos do Brasil e, destacadamente, na floresta amazônica este o mais abominável dos crimes ecológicos, por atingir toda a biodiversidade: plantas, animais, águas, degradando a terra/solo e ferindo o Planeta. A ministra, ex-seringueira e indiscutivelmente uma ambientalista consciente e batalhadora pela causa, pouco pode fazer se lhe falta o respaldo de outros escalões. O amigo pessoal e presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca lhe deu força para a execução da obra de preservação ambiemtal, e tudo acabou ficando mais no discurso do que na ação. O noticiário vai mostrando o quanto a floresta vai sendo posta a baixo. Tudo sob o olhar complacente do presidente da República e do Ministério da Defesa, que rege as Forças Armadas e deveria entrar em ação nesta que é uma das sagradas missões dos organismos da Segurança Nacional.





