A corrupção continua sendo uma chaga que impede o desenvolvimento socia
A escola que está precisando há anos de uma boa reforma; a falta de merenda que deixa milhares de estudantes pobres com fome enquanto tentam assimilar a lição recebida de professores mal remunerados e desestimulados; a oferta muito abaixo do necessário de serviços gratuitos e de qualidade de saúde, colocando em risco a população que depende do Sistema Único de Saúde para curar a dor. Para explicar a realidade nada lisonjeira do País, o discurso se repete: faltam verbas.
Mas um levantamento divulgado pelo Departamento de Patrimônio e Probidade da Advocacia Geral da União (AGU) ajuda a entender os parcos recursos para serviços tão essenciais, apesar da cobrança de tantos impostos.
Apesar das rubricas educação e saúde representarem os maiores orçamentos do governo federal - R$ 63,71 bilhões e R$ 77,15 bilhões em 2011, respectivamente -, as áreas são responsáveis por cerca de 70% dos desvios de verbas públicas.
E erra quem pensa que os maiores problemas são encontrados nas grandes obras. O principal foco está nos repasses de valores inferiores a R$ 100 mil, pois nesses casos os órgãos fiscalizadores têm mais dificuldade em detectar o desvio.
A corrupção continua sendo uma chaga que impede o desenvolvimento social e econômico do país. E parece cada vez mais forte, seja pela falta de punição exemplar de quem a pratica ou pelos inúmeros casos que surgem quase diariamente.
Impressiona o tamanho do problema. A organização Transparência Internacional e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgaram dado que deveria envergonhar muita gente: o Brasil responde por entre 26% e 43% de todo o dinheiro movimentado pela corrupção no mundo. O prejuízo no país pode chegar a R$ 70 bilhões por ano, cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
É necessário mudar essa cultura de desvio irremediável do dinheiro público. A sociedade deve cobrar de seus representantes a criação de mecanismos que tornem a corrupção uma ação menos atrativa. Ou continuaremos cerceados dos nossos direitos mais básicos.





