A sorte está lançada, porque, com a recente sanção da lei da biossegurança, as empresas de tecnologia instaladas no Paraná já iniciaram a produção em escala de sementes de soja transgênica e que serão colocadas no mercado para a safra 2005/6. O Centro Nacional de Pesquisa da Embrapa/Soja, de Londrina, e a Cooperativa de Desenvolvimento Tecnológico, de Cascavel, têm autorização da multinacional Monsanto para utilizar a semente geneticamente modificada, e em pelo menos meia dúzia de variedades. A cooperativa já liberou a comercialização da semente para 120 empresas produtoras licenciadas, em todo o País, significando que a transgenia na área da soja já é uma realidade, embora a produção inicial de sementes só vá atender a 20% do mercado. Logo, a Monsanto estará recebendo royalties por essa tecnologia, e este é o seu objetivo. Há uma corrida dos plantadores e produtores de sementes para a soja transgênica, embora a ciência ainda não tenha dado sua palavra sobre eventuais prejuízos para a saúde humana e animal pelo consumo do novo produto. A biotecnologia já apresentou o resultado de suas pesquisas, mas esta é apenas uma fase técnica, que não avalia a constituição essencial desses grãos, até porque não é da sua especialidade. A resposta da comunidade científica para tão delicada questão não é simples e demanda anos de pesquisa para conhecer-se os resultados. O agricultor brasileiro deseja reduzir custos de produção, que, segundo se afirma, os transgênicos irão proporcionar, mas existem também os alertas de que os mercados estrangeiros ainda estão preferindo a soja convencional e que a vantagem do Brasil poderá ser justamente a oferta desta qualidade de produto. Aí sim competindo com os fornecedores internacionais da transgênica. A União Européia, por exemplo, só tem importado soja isenta de transgenia, e organismos de defesa ambiental e da sáude humana, como o Greenpeace, consideram o Brasil um país estratégico nesse aspecto. Afigura-se como precipitação lançar sementes modificadas e disseminá-las pelas lavouras, mesmo que para isto haja agora autorização legal. Se há acenos de vantagens quanto a custeio de produção, há riscos naquilo que os produtores e o Governo consideram muito importante, que é a aceitação do mercado, e por outro lado o questionamento sobre a saúde do consumidor. Entra aí a responsabilidade do pesquisador, do produtor de sementes, do agricultor, do exportador e do Governo.

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