A rigor, este não é o instante para discutir a polí tica de privatiza ções adotada pelo Poder Cen tral. Isto já foi feito no Con gresso, junto a diversas entidades da sociedade civil e se tranformou em legislação específica. Para a aceitação de muitos prevaleceu a informação de que os cofres públicos chegaram à exaustão, e sem condições, portanto, de enfrentar os gastos referentes aos investimentos mais que necessários em diversas áreas de infra-estrutura. O setor de energia, por certo, é um deles. E dos mais importantes.

Sucede que, nessa área específica, as coisas não andaram segundo o planejamento básico. Adiantava-se que a venda das empresas de eletricidade permitiria maior concorrência, menores tarifas e mais investimentos na área.

Poucos anos depois de iniciada a desestatização, o que vemos é exatamente o contrário. Os investimentos foram de todo inibidos, a liberação das tarifas permitiu aumentos que, em alguns casos, ultrapassaram os 200%. (É bom lembrar que a inflação do período foi de 84%). E o País, hoje, enfrenta uma política de racionamento que, para dizer o mínimo, é exasperante.

A situação da Companhia Paranaense de Energia (Copel), pode ser incluída em toda essa argumentação. Antes de mais nada, vale observar que a companhia não é deficitária. Seu lucro líquido, ano passado, beirou os R$ 450 milhões, sendo 56% maior que o obtido em 1999.

Diante do fato, o presidente da empresa e, ao mesmo tempo, secretário da Fazenda do Estado, Ingo Hubert, divulgou nota considerando o resultado compatível com as necessidades de investimento da empresa para aumentar a oferta de energia.

Conclui-se, portanto, que, diferentemente do que ocorre no geral, a Copel tem excelente lucratividade e, mais que isso, condições de reinvestir e de oferecer maior quantidade de energia. Então, por que vendê-la?

Alega o mesmo secretário da Fazenda que o Estado necessita de fazer mais caixa, para os investimentos sociais que se fazem urgentes. Mas esta não é toda a verdade. O Ingo Hubert não quer dizer é que o Estado assumiu compromissos outros de que se tem que livrar, mesmo que para isso venda, na bacia da almas, parte tão significativa do patrimônio público paranaense.

E é, afinal, um segredo de polichinelo. O governador Jaime Lerner havia autorizado o Banestado a comprar carroçadas de títulos podres de Tesouros estaduais, tipo Santa Catarina, Alagoas e Pernambuco. Esses autênticos ''micos'' ficaram apodrecendo nos cofres do banco, vendido, agora, ao Itaú. E é o Itaú que exige sejam resgatados, o que terá que ser feito pelo Erário do Estado.

Assim, vendida a Copel, os cofres estaduais vão ver pouca coisa desse dinheiro que será, de pronto, transferido para o Itaú. O acordo já foi assinado em Brasília, em 31 de julho, presentes Jaime Lerner, dois diretores do Banestado/Itaú, uma procuradora da Fazenda Nacional e um representante do Banco Central.

Pode o Paraná ficar sem sua companhia de eletricidade e os paranaenses sem o capitais apurados com sua venda, o que, convenhamos, é uma autêntica política de lesa-pátria, levada adiante sem qualquer transparência e, mesmo, com a maior falta de sinceridade por parte dos governantes do nosso Estado.



- RUBENS BUENO é deputado federal, presidente do PPS-PR e líder da bancada na Câmara dos Deputados
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www.rubensbueno.com.br

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